Cercadas por grandes arribas costeiras, as fajãs formaram-se ora pelo deslizamento das encostas que criaram plataformas junto ao mar, ora pela deposição de materiais lávicos durante erupções que, ao penetrarem no mar, criaram plataformas sólidas e férteis.

A origem da Fajã dos Cubres é relativamente recente e está ligada a desabamentos de terra, com origem no terramoto de 1757, dois anos depois do grande sismo de Lisboa. A erosão provocada pela água doce e salgada teve um papel determinante na sua morfologia com imensas ravinas por onde descem cascatas de regime torrencial. Para completar este cenário verdadeiramente idílico, existe uma lagoa pontilhada de pequenas ilhotas. Este ecossistema único alberga uma enorme variedade de espécies de flora e fauna. Os terrenos férteis das fajãs são utilizados pelos poucos residentes para fazerem as suas hortas e para o gado.

Fajã dos Cubres

São Jorge é a região mais ocidental do hemisfério norte onde se cultiva o café. Fotografia de Hugo Marques.

Uma visita à Fajã dos Cubres pode ser conduzida de forma tradicional, com o auxílio de um carro, percorrendo os campos verdejantes que ladeiam a excelente estrada que termina no pequeno povoado. Terá apenas de ter cuidado com as vacas pachorrentas que por ali deambulam. É obrigatória uma paragem no miradouro da Fajã dos Cubres que permite avistar a vizinha Fajã da Caldeira de Santo Cristo.

Os apreciadores de caminhadas podem optar pelo trilho que começa na serra do Topo, descendo a encosta que termina na Fajã de Santo Cristo. Dali tem ligação pedestre até aos Cubres. Um banho na pequena cascata de águas cristalinas é o justo prémio para aqueles que se aventuram no percurso.

Na passagem pela Caldeira de Santo Cristo, não se esqueça das amêijoas que deram fama a esta fajã. Para degustar este bivalve único nos Açores, cujas origens suscitam debates acalorados, existe uma época própria para o saborear e um longo defeso. A continuidade da espécie depende do respeito por essas regras.

Fajã dos Cubres

O queijo é outra das artes locais. Fotografia de Hugo Marques.

Continuando a caminhada até aos Cubres, é tempo de nova paragem para relaxar numa das poucas casas que servem refeições na pequena aldeia e degustar um maravilhoso peixe da safra local, um afamado queijo de São Jorge ou um atum de uma das melhores conservas dos Açores. Para terminar o repasto, nada como um “expresso” da única plantação de café na Europa.

Oriundo da Fajã dos Vimes e criado de forma biológica, este néctar dos deuses é preparado de forma absolutamente artesanal. Mas como nem só de pão vive o homem, é tempo de visitar a pequena ermida de Nossa Senhora de Lourdes, edificada em 1908 com o apoio de um filho da terra emigrado nos EUA.

Com o dia já longo, tente encontrar um quarto ou uma casa para alugar na fajã e adormeça a ver as estrelas e a ouvir o som das cagarras numa verdadeira sinfonia nocturna.

Fajã dos Cubres