Fugir ao turismo de massas? Estes destinos são boas alternativas

Ljubljana em vez de Veneza, Raja Ampat em vez de Bali: estes locais menos visitados são tão encantadores como os mais populares.

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FOTOGRAFIA DE ROCCO RORANDELLI, TERRAPROJECT/CO / REDUX

Turistas enchem a Praça de São Marcos, em Veneza. Uma das maneiras mais fáceis de ajudar a proteger locais populares e aliviar a pressão do excesso turismo é abandonar os sítios mais conhecidos e procurar destinos alternativos.

As viagens voltaram com um novo fôlego em 2023, com as reservas a quase atingirem os números anteriores à pandemia da COVID-19, segundo um recente estudo realizado pela Prosper Insights & Analytics. No entanto, muitos destinos tiveram de se esforçar para gerir o aumento do afluxo turístico e alguns governos tomaram medidas activas para limitar o número de visitantes. Algumas mudanças incluem taxas turísticas novas e aumentos dos valores das taxas turísticas já existentes, campanhas destinadas a desencorajar turistas problemáticos e limites ao número de visitantes em locais populares.

Em vez de serem parte do problema, as pessoas podem apoiar activamente as soluções. Uma das maneiras mais fáceis de ajudar a proteger locais populares e aliviar a pressão do excesso de turismo é abandonar os sítios mais conhecidos e procurar destinos alternativos. Sugerimos-lhe sete alternativas a alguns dos destinos mais populares do mundo para a sua próxima viagem.

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FOTOGRAFIA DE MATTHEW WILLIAMS-ELLIS, ROBERT HARDING / NAT GEO IMAGE COLLECTION

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Esqueça Veneza, experimente Ljubljana

Não é segredo que Veneza e os seus moradores estão com imensas dificuldades devido ao turismo. E não podemos culpá-los. O impacto de barcos cheios de visitantes – cerca de 60.000 pessoas desembarcam na frágil cidade todos os dias – transformou-a do seu antigo estatuto de “La Serenissima” (“A Mais Serena”) em tudo menos isso. Multidões, canais sobrepovoados ecossistemas danificados, aumentos insanos das rendas e substituição de lojas de artesanato por lojas de recordações baratas alteraram dramaticamente a qualidade de vida, obrigando milhares de residentes a abandonarem a cidade todos os anos e ameaçando o seu estatuto de património da UNESCO. Se gosta de Veneza, faça um favor à cidade flutuante e deixe-a em paz por enquanto.

Do outro lado da fronteira, na Eslovénia, as pacíficas colinas ondulantes das terras vinícolas de Brda aguardam-no. Esta “Toscana da Eslovénia” tem vistas espectaculares, uma hospitalidade tão suave como as suas colinas, comida decadente e vinhos que rivalizam facilmente com os de Itália e até alguma arquitectura medieval – menos as multidões. Se não quiser mesmo prescindir dos canais, rume a Ocidente, até Ljubljana, onde poderá navegar à vontade no rio cor de jade que serpenteia por esta capital amigável e com consciência ecológica.

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FOTOGRAFIA DE MICHAEL FAY, NAT GEO IMAGE COLLECTION

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Esqueça a Costa de Andaman, experimente Moçambique

Não há como negar. A Tailândia possui algumas das praias mais belas do mundo. Mas a popularidade tem um preço. As adoradas praias de Phuket ou Koh Phi Phi, entre outras, no mar de Andaman, atraíram tanta atenção turística que o ambiente natural e o estilo de vida local foram profundamente, talvez até irreversivelmente, alterados.

Se é sol e areia que procura, porque não visita Moçambique? Este país situado no sul de África tem mais de 2.400 quilómetros de orla costeira banhada pelo Oceano Índico – grande parte da qual incrivelmente bela e imaculada. Pode saltitar entre as ilhas dos arquipélagos situados ao largo da costa, mergulhar nas águas transparentes ou simplesmente descansar numa praia isolada com um bom livro, um copo de vinho sul-africano e a brisa do mar.

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FOTOGRAFIA DE LUTZ JAEKEL, LAIF / REDUX

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Esqueça o trilho Pacific Crest Trail, experimente o Trilho da Jordânia

Se está à procura de um trilho longo, que possa fazer sozinho enquanto mergulha nas profundezas da sua alma, como a personagem de Reese Witherspoon fez em Wild, o Pacific Crest Trail – o trilho que ela percorreu – irá provavelmente desiludi-lo. Com mais licenças de caminhada atribuídas em 2017 do que o seu comprimento em milhas, este trilho tornou-se demasiado popular. O aumento dramático dos caminhantes está a prejudicar o ambiente natural que o tornou tão apelativo enquanto escape.

Os aventureiros ambiciosos em busca de solidão podem experimentar o Trilho da Jordânia, um trilho com cerca de 650 quilómetros criado recentemente que atravessa de Norte a Sul este país do Médio Oriente. Irá certamente enfrentar desafios físicos e mentais – mas também verá paisagens do outro mundo de cortar a respiração – ao caminhar entre 52 comunidades e diferentes condições durante esta viagem de todo-o-terreno. 

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FOTOGRAFIA DE FRANK HEUER, LAIF / REDUX

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Esqueça Banff, experimente Yoho

É fácil apaixonar-se pelos picos montanhosos e lagos glaciares das montanhas rochosas canadianas só por olhar para fotografias de Banff. Este destino de aventura ao ar livre em Alberta atrai um número significativo de turistas – quase três milhões, só entre Abril e Setembro.

Em vez de se esforçar para tirar uma fotografia em Banff, experimente atravessar a fronteira para a Columbia Britânica e comungar com a natureza no Parque Nacional de Yoho. Aqui poderá caminhar, andar com raquetas de neve, avistar animais e orquídeas selvagens, passear de caiaque no belíssimo e adequadamente denominado Lago Esmeralda (Emerald Lake) e explorar os leitos fósseis de Burgess Shale Fossil Beds sem tropeçar em multidões de turistas.

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FOTOGRAFIA DE TIM LAMAN, NAT GEO IMAGE COLLECTION

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Esqueça Bali, experimente Raja Ampat

Há muito venerado enquanto santuário espiritual, Bali ficou a abarrotar de turistas internacionais de mochila às costas, Instagrammers, praticantes de yoga e surfistas nos últimos anos. A subida intensa do turismo conduziu a um aumento dos preços, das multidões e das pressões exercidas sobre os recursos naturais – e, consequentemente, a um declínio na qualidade de vida e das experiências, tanto para residentes como para visitantes.

Embora ainda haja alguns recantos tranquilos em Bali, é melhor deixar as hordas de turistas para trás e experimentar algo novo. A Indonésia é formada por milhares de ilhas, por isso nem terá de sair do arquipélago para encontrar uma alternativa. Com praias idílicas de areia branca e recifes saudáveis e prósperos, as ilhas Raja Ampat são um paraíso na Terra. Quer seja um entusiasta do mergulho ou queira passear na selva em busca de aves tropicais e animais selvagens ou simplesmente instalar-se num sítio tranquilo e relaxar, aqui terá toda a serenidade de que necessita.

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MAX GALLI, LAIF / REDUX

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Esqueça a Lagoa Azul da Islândia, experimente Myvatn Nature Baths

Pretende uma fotografia cheia de vapor para publicar no Instagram ou uma experiência de águas termais quentes? A Islândia oferece ambas em múltiplos locais para além da Lagoa Azul. A Terra do Fogo e do Gelo é o lar de inúmeros rios, ribeiros riachos e lagos que são sítios incríveis para dar um mergulho.

Pode escapar às multidões de turistas e desfrutar do mesmo tipo de águas em tons de água-marinha em Myvatn Nature Baths, no Norte da Islândia. Aventurar-se mais longe não só significa menos pessoas nas piscinas, como aumenta as suas probabilidades de vislumbrar auroras boreais.

Os turistas mais audaciosos poderão também apreciar os desafios de chegar às lagoas geotermais ocultas nas grutas de Grjotagja — situadas a Noroeste, são tão mágicas que figuraram num episódio de Guerra dos Tronos, ou no ribeiro de águas quentes de Reykjadalur (apenas uma hora a Sudoeste de Reiquiavique).

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FOTOGRAFIA DE JONATHAN IRISH, NAT GEO IMAGE COLLECTION

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Esqueça Dubrovnik, experimente Mostar

Resistindo à pressão de um trio de problemas causado pelo excesso de turismo – navios de cruzeiro, voos baratos e a popularidade trazida pela Guerra dos Tronos, a cidade histórica croata à beira-mar plantada de Dubrovnik tem sido obrigada a tomar medidas para limitar o número de visitantes diários e proteger o seu estatuto de Património da UNESCO. Os turistas de curta duração (que permanecem poucas horas) tendem a invadir a cidade em massa, ocupando espaço e consumindo recursos, mas contribuindo pouco para a economia.

Embora Dubrovnik consiga lidar com os seus problemas de popularidade, considere explorar o seu vizinho a norte, a Bósnia e Herzegovina, um país culturalmente diversificado e historicamente intrigante. A sua falta de orlas costeiras é mais do que compensada pela sua hospitalidade, intermináveis trilhos de caminhada e pistas de esqui e uma série de influências culturais – desde astro-húngaras a otomanas e até islâmicas – que se reflectem na arquitectura, culinária, música e no seu intrigante estilo de vida.

Dicas para visitar sítios cheios de gente

  • Se estiver a visitar um destino popular, existem algumas maneiras de melhorar a sua experiência e a dos habitantes locais.
  • Viaje em época baixa.
  • Evite grupos grandes, excursões de autocarro e navios de cruzeiro. Os grupos grandes e as excursões de um só dia tendem a sobrecarregar os destinos e consomem recursos e espaço, contribuindo pouco para a economia local. Se viajar em grupo, distribua o seu dinheiro por lojas e restaurantes locais sempre que possível.
  • Reserve a sua viagem junto de operadores turísticos locais e éticos. Por exemplo, em vez de participar num passeio turístico até ao Grande Palácio e Estrada de Khao San em Banguecoque, prefira uma visita guiada com guias locais que lhe dêem a conhecer o centro histórico da cidade.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.