Ver auroras boreais em toda a sua majestade é um sonho para a maioria dos viajantes. Causadas pela reacção entre partículas carregadas pelo Sol e a atmosfera terrestre, as luzes dançarinas maioritariamente verdes deste fenómeno natural são frequentemente espectaculares. Ver auroras é uma emoção por si só, mas captar uma fotografia fabulosa é a cereja em cima do bolo. Dada a sua característica etérea, isso requer paciência, o equipamento certo e muito planeamento. Como 2024 deverá trazer das mais belas auroras boreais dos últimos mais de 20 anos, graças ao “máximo solar” (um pico na actividade do Sol) que se avizinha, nunca houve uma altura melhor para tentar fotografá-las.

Quando e onde viajar

No hemisfério Norte, a aurora boreal é frequentemente mais intensa por volta dos equinócios do Outono e da Primavera, em finais de Setembro e Abril. Entre Novembro e Janeiro, as noites mais longas significam mais horas de escuridão e um aumento das possibilidades de avistá-las – mas tenha em mente que os céus invernosos e inclementes do hemisfério Norte poderão obscurecer-lhe a vista. Também deve evitar períodos de lua cheia, pois diminuem quaisquer espectáculos luminosos.

É possível ver auroras no Reino Unido e na Irlanda (recentemente, ocorreram mais devido ao período de elevada actividade solar em que nos encontramos), mas, nas zonas pouco povoadas do Alasca Canadá e países nórdicos, e no círculo Árctico, a ausência de poluição luminosa e a maior proximidade do Pólo norte magnético juntam-se para intensificar estas fascinantes explosões de luz.

Embora as auroras nunca estejam garantidas, a Noruega é um dos melhores sítios para as ver: o arquipélago deLofoten, Tromsø e Kirkenes são locais pitorescos, acessíveis e perfeitamente posicionados no extremo norte. Existem também navios de cruzeiro que navegam junto à costa norueguesa, proporcionando condições de visualização ainda mais escuras. Um aviso, porém – embora os navios proporcionem, frequentemente, uma experiência mais confortável, é mais difícil controlar o enquadramento e o foco num veículo em movimento.

FOTOGRAFIA DE ROBERTO MOIOLA, GETTY IMAGES
FOTOGRAFIA DE ROBERTO MOIOLA, GETTY IMAGES

Integrando as montanhas cobertas de neve e cabines de pesca coloridas no enquadramento desta fotografia de uma aurora em Sommaroy, a Noruega permite criar composições dramáticas.

A Islândia, com as suas espectaculares quedas de água, actividade geotermal e glaciares, é outro dos destinos de aventura de curta distância mais populares para os europeus – e extraordinária para avistar auroras. A escuridão é essencial por isso, se ficar em Reiquiavique, marque uma excursão de uma noite longe das luzes da cidade. Ou melhor ainda opte por um local isolado como o Hotel Rangá, na costa Sul, ou na península de Snaefellsnes, a oeste.

A belíssima Gronelândia, localizada no Círculo Árctico, é outra opção. É mais difícil chegar lá do que à Islândia, sendo por isso menos movimentada. As suas paisagens rurais e isolamento fazem com que seja um destino especial para os fotógrafos em busca de aventura.

A localização é tudo, por isso escolha um bom sítio e permaneça nele durante tempo suficiente para maximizar as oportunidades fotográficas. E não se esqueça de que o sítio onde está alojado também pode tornar-se parte do enquadramento. Cúpulas de vidro, hotéis de gelo e cabinas no topo das árvores ficam lindamente na fotografia e aproximam o fotografo da acção. Na Aurora Sky Station, no Parque Nacional de Abisko, na Suécia, pode olhar para o céu a caminho da torre de observação num teleférico aberto e usar as formas estruturais nas suas composições. Do mesmo modo, cadeias montanhosas cobertas de neve, como a topografia irregular de Spitsbergen, podem ser cenários dramáticos.

O Norte da Finlândia tem diversos centros de actividade de desportos de Inverno que também são reservas Dark Sky – situados em zonas bravias, são perfeitos para estar perto da acção quando os auroras de alerta dispararem.

Como viajar de forma inteligente e em segurança

Esperar pelas luzes pode ser uma experiência longa e fria, pois costumam acontecer de madrugada. Assegure-se de que está bem equipado e pense em viajar com outras pessoas por razões de segurança. Leve baterias adicionais para a sua máquina fotográfica ou para o seu telemóvel guardadas num local quente como um bolso interior – as temperaturas negativas descarregam-nas. Um bom par de luvas fotográficas assegura que consegue manusear os botões, impedindo os seus dedos de congelarem.

Leve um tripé para ter estabilidade

Mesmo que vá para uma zona isolada e precise de viajar com pouco peso, uma das coisas que não pode deixar para trás é um tripé. A estabilidade é tudo quando se fotografa o céu nocturno porque o obturador tem de ficar aberto para deixar a luz entrar – pousar a sua câmara num sítio com neve não é suficiente. Um tripé em fibra de carbono ou outro material leve é essencial, juntamente com um cabo de comando à distância para a câmara não tremer. Caso não tenha um cabo, use o temporizador e permaneça quieto. Mexer-se perturbará o solo e, mesmo que seja imperceptível para si, desfocará a fotografia.

FOTOGRAFIA DE NORI JEMIL
FOTOGRAFIA DE NORI JEMIL

O modo de retrato adequa-se à imensidão desta aurora vertical, visível apesar das luzes do tráfego rodoviário e das casas rurais da costa sul da Islândia.

Use uma lente de grande angular

Recomenda-se o uso de uma lente de grande angular para captar a enormidade do céu – em alturas de grande intensidade, as luzes dançam, chegando a explodir em forma de coroa, com franjas roxas, rosas, azuis e vermelhas. No entanto, uma lente com demasiada amplitude também poderá captar objectos indesejados. Por isso, tenha cuidado com faróis distractivos em zonas mais movimentadas e outras pessoas. As luzes frontais são inestimáveis para a segurança no escuro – compre uma com uma opção de luz vermelha para manter a sua visão nocturna – mas preste atenção aos outros fotógrafos.

Concentre-se na composição

Uma boa composição consegue melhorar muito uma imagem. Procure uma árvore, um curso de água ou uma estrutura interessante, como uma casa de madeira de cores vibrantes, mas prefira um objecto pouco iluminado, para não ficar sobre exposto. Em alternativa, procure um horizonte interessante, como uma colina ou uma cordilheira ou peça ao seu parceiro que permaneça imóvel, criando uma silhueta dramática. Tenha em consideração o ponto focal, talvez utilizando a regra dos terços, e não tenha medo de fotografar na vertical para incluir o máximo possível da aurora.

Definições da câmara

Além de usar uma lente de grande angular e estabilização, é boa ideia ter uma lente adequada para condições de baixa luminosidade, como uma abertura ou F-stop de 4.0, ou menos. Isto fará com que não tenha de aumentar tanto a ISO, pois isso acrescenta ruído à imagem. Cada câmara é diferente. Por isso, faça alguns testes com o céu nocturno antes de viajar. Fotografe em RAW para gravar mais pormenores.

As definições manuais permitem-lhe controlar o foco e a exposição – se mantiver o obturador aberto durante demasiado tempo, as estrelas parecerão borrões, enquanto uma exposição muito curta tornará a imagem demasiado escura. É boa ideia experimentar várias exposições, entre 5 e 30 segundos, verificando e ajustando a abertura, o ISO e a velocidade de obturador consoante a intensidade das auroras. Não se esqueça de activar a focagem manual com a lente fixada no infinito, uma vez que está a apontar para o céu e para longas distâncias.

Utilizando um telefone

O impensável aconteceu com os recentes avanços tecnológicos e já se conseguem captar imagens de auroras bastante boas com a maioria dos modelos mais recentes da Apple e Android. Tal como acontece com uma máquina fotográfica, o telefone precisa de ser imobilizado durante tempo suficiente para a luz atingir o sensor. Recomenda-se usar um tripé juntamente com comando à distância, activação Bluetooth ou o temporizador do telefone. Desligue o flash, seleccione o modo nocturno ou use as definições manuais, se as tiver, para ajustar a exposição e fotografe em RAW. As apps de alerta de auroras, como a hello aurora, ajudam a prever quando vai ocorrer uma aurora intensa e outras aplicações podem processar as suas fotografias, poupando-lhe o trabalho de editar ou empilhar fotogramas para obter a imagem perfeita.

Este artigo foi publicado na National Geographic Traveller (Reino Unido) e em nationalgeographic.com