Capitais Europeias da Cultura de 2024

Estes destinos do centro e do norte da Europa têm, cada um à sua maneira e medida, vastos programas de eventos planeados para celebrar a sua designação como Capital Europeia da Cultura este ano.

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Em 1985, o Parlamento Europeu lançou o projecto Capital Europeia da Cultura, concebido para promover e divulgar os aspectos culturais de diferentes cidades do continente. Até à data, 67 cidades foram designadas Capital Europeia da Cultura, correspondendo a cerca de trinta países (alguns dos quais não são membros da União Europeia). Apenas uma cidade, a cidade do Luxemburgo, foi repetidamente capital em 1995 e 2007.

Numa classificação por países, foram escolhidos cinco sítios na Bélgica, em Espanha, França e Itália, e quatro em Portugal (Lisboa em 1994, Porto em 2001, Guimarães em 2012 e Évora em 2027), Alemanha, Grécia, Países Baixos. Nos últimos anos, esta designação foi alargada de uma para três cidades num ano. Será esse o caso em 2024 de Tartu, na Estónia, Bad Ischl, na Áustria, e a cidade norueguesa de Bodø. Prepare a agenda:

1. Bodø (NORUEGA)

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FOTO: ADOBESTOCK

Actualmente considerada um farol cultural no Ártico, a "jovem" cidade de Bodø é a maior cidade da região norueguesa de Nordland. Foi fundada em 1816 como uma aldeia piscatória nas margens do Mar da Noruega, a norte do Círculo Polar Ártico. Bodø foi reconstruída após os bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial. O Museu Norueguês da Aviação, cujo edifício tem a forma de uma hélice de avião, e o Museu Bunker são memoriais deste passado recente, enquanto o Museu Nordland conta a história da região.

Entre os seus modestos monumentos encontram-se a Catedral de 1956, construída em estilo funcionalista, e a Igreja Bodu, em pedra, do século XIII. Um passeio à volta do porto é obrigatório, com casas de madeira pintadas de vermelho, cafés e um mercado de peixe diário. Quando o tempo está bom e as águas não estão geladas, partem do cais pequenos cruzeiros para as ilhas vizinhas, onde se podem fazer passeios de observação de aves para ver, por exemplo, a maior colónia de águias-pesqueiras do mundo.

Este é também o ponto de partida dos ferries para as Ilhas Lofoten. A Capital da Cultura de Bodø, que arrancou a 31 de Janeiro, aposta claramente na criatividade artística dos jovens artistas nórdicos e na divulgação da diversidade artística dos povos escandinavos. www.bodo2024.no

2. BAD ISCHL (ÁUSTRIA)

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FOTO: GETTY IMAGES

Esta cidade austríaca, imperial e inspiradora, já era um destino artístico antes de ser eleita Capital Europeia da Cultura 2024. Aninhada na região montanhosa de Salzkammergut, numa zona de minas de sal e de vilas requintadas, Bad Ischl foi em tempos um retiro imperial "secreto", um destino termal e um paraíso para os artistas do século XIX que procuravam inspiração na paisagem. A arquitectura de Bad Ischl, uma mistura de edifícios históricos, estilos alpinos tradicionais e influências de diferentes períodos, é o resultado destas personagens.

A Villa Imperial e o Blumenthal são os dois locais mais atractivos para visitar. Seguindo os passos do Imperador Franz I e da Imperatriz Sisi, a cidade nas margens do Traunsee foi inicialmente colonizada por membros da nobreza, depois por ricos barões industriais e, finalmente, pela classe média que também queria desfrutar da sua atmosfera tranquila e dos seus spas, hotéis, casinos e cafés, como o clássico Café Konditorei Zauner. Um teleférico leva-o até ao Monte Katrin, onde pode seguir trilhos e admirar a vista. O programa organizado para a sua Capital da Cultura funde arquitectura, cultura e tradições alpinas, reflectindo a história e a diversidade artística de uma cidade com uma visão de futuro. Destaque para um programa de concertos em grutas de sal e gelo. www.salzkammergut-2024.at

3. TARTU (ESTÓNIA)

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A histórica Tartu é considerada o coração cultural da Estónia. Cidade universitária com alma romântica, é famosa no país pelos seus festivais de música e poesia e pelo ambiente estudantil da sua universidade, fundada em 1632. Este destino do Báltico tem um centro urbano harmonioso e pedonal, com edifícios do século XVIII, como a Câmara Municipal, que se ergue numa bela praça empedrada que é o coração da cidade, rodeada de mansões coloridas, uma das quais alberga o Museu de Arte de Tartu. Outra atracção são os parques arborizados da cidade, como o que cobre a colina de Toome, imperdível pelas suas vistas e por albergar a catedral gótica da cidade e um observatório universitário, inaugurado em 1808.

Os restos mais antigos que podem ser visitados são os da igreja de San Juan, com fundações que datam do século XII. Outras propostas atractivas são um passeio pelo rio Emajõgi ou uma visita à curiosa Upside Down House, nos arredores, uma original atracção para os que procuram diversão, onde o chão se converte em tecto e os objectos estão de cabeça para baixo. A agenda cultural da cidade para a sua Capital da Cultura abre a 9 de Fevereiro com o Festival de Artes Visuais de Tuled. Os eventos relacionados com questões de sustentabilidade serão destacados na sua designação. http://tartu2024.ee