Tradicionalmente nómada, o povo Sami guarda rebanhos de renas em Sapmi (Lapónia) há 7.000 anos, muito antes de a região ser dividida nos países da Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. As renas são parte integral da vida dos Sami, mas o estilo de vida deste povo indígena está ameaçado pelas alterações climáticas, a exploração mineira e a apropriação cultural. A Suécia é o lar de 20.000 Sami, um quinto dos quais deambulam com as suas manadas pela Lapónia – um local considerado Património Mundial da UNESCO que se estende ao longo do Árctico Norte, na Suécia. Os outros mantêm os seus costumes vivos dando continuidade a tradições multisseculares e partilhando histórias sobre o seu legado. Damos-lhe algumas ideias excitantes para conhecer esta cultura.

1. EXPERIMENTE O Esqui de fundo

Lennart Pittja, o proprietário Sami do Sapmi Nature Camp, guia os seus hóspedes em expedições de esqui de fundo na Lapónia. “Vivemos aqui há 7.000 anos e a nossa presença é praticamente indetectável”, diz. “Levo os turistas à terra dos meus antepassados, mas as pessoas precisam dos meus olhos e conhecimento para verem provas desses 7.000 anos”. Seguindo as pegadas dos seus predecessores, Lennart aponta para um povoado Sami abandonado, escondido sob a neve e os espruces junto ao rio Lule. Tudo o que resta é uma zona de cozinhar e um sino, bem como um barco que ali ficou, acorrentado a uma árvore, desde que a estrada foi construída na década de 1960.

2. Conheça as renas

No albergue e parque de campismo Nutti Sámi Siida, os hóspedes andam em trenós puxados por renas e alimentam os animais com líquenes. Depois Klara Enbom, uma guia Sami, prepara-lhes sopa de urtigas, rena fumada e sumo de arando vermelho à volta de uma fogueira numa tenda lavvu, enquanto explica a discriminação enfrentada pelos Sami e como os parques eólicos afectam as rotas das manadas. “Atraímos os turistas com as renas e depois enchemos-lhes a cabeça de informação”, diz, meio a brincar.

Thea-Olivia Persson Fjallman é pastora de renas e guia
SARAH RICHES

Thea-Olivia Persson Fjallman é pastora de renas e guia, tal como os seus antepassados, que apascentam renas na Lapónia há 7.000 anos.

3. Visite um museu Sami

Salpicada com bétulas e pinheiros, a paisagem congelada de Sapmi parece desabitada à primeira vista. No entanto, quem souber onde procurar encontrará evidências milenares da cultura Sami. Um terço dos 300 glaciares da Suécia situam-se na Lapónia e vão revelando descobertas à medida que derretem – um trenó com 400 anos, setas com mil anos, esquis com 5.000 anos. O Museu Ájtte, em Jokkmokk, mergulha nas profundezas da história Sami, explorando crenças espirituais, artesanato e técnicas de sobrevivência através de exposições de tambores feitos à mão, trajes tradicionais e uma tenda lavvu: uma oportunidade fascinante de conhecer o estilo de vida Sami.

4. ComprE artesanato Sami

Comprar peças de artesanato contribui para a economia local de zonas rurais como Jukkasjärvi. Também é uma forma de demonstrar reconhecimento pela cultura Sami e mantê-la viva. O Museu Márkanbáiki é um espaço ao ar livre e tem uma loja que vende cestos, taças kuksa esculpidas à mão e jóias de prata – que se crê afastarem os espíritos maus. A guia Thea-Olivia Persson Fjallman diz: “Usamos a pele da rena para fazer sacos de café, o pêlo para fazer botas e as hastes para fazer facas”. As facas são curvas para serem mais fáceis de manusear com luvas e todas as peças de artesanato são decoradas. “Como éramos nómadas, não podíamos transportar coisas bonitas, por isso embelezámos os objectos úteis.”

5. PesquE através de um buraco no gelo

O chefe Emanuel Swärd, do Arctic Retreat, ajuda os hóspedes a pescarem no gelo em Överstbyn e depois cozinha o peixe por eles capturado. Depois de estudar pesca desportiva, Emanuel tornou-se guia, conquistou um recorde por ter pescado a maior perca do mundo e tornou-se "influencer" de pesca. “A perca é a droga de entrada de pesca e é muito fácil de apanhar”, graceja. Utilizando imagens de satélite, Emanuel ajuda os turistas a encontrarem locais em águas profundas e sem rochas no rio Råne ou no lago Vitträsket, abre um buraco no gelo e usa iscos que brilham no escuro para atrair trutas do Árctico.

Publicado no guia Winter Sports, distribuído com a edição de Dezembro de 2023 da National Geographic Traveller (Reino Unido), e em nationalgeographic.com.