É Primavera. Nas extensas montanhas dos Balcãs, o fotógrafo búlgaro Georgi Georgiev foca a sua objectiva numa criatura minúscula. Uma aranha amarela esconde-se atrás de uma flor amarela, à espera de uma refeição. Os dois tons de limão não são uma coincidência – a aranha-caranguejo-das-flores é hábil na camuflagem, misturando-se com o ambiente para apanhar furtivamente a presa. Georgiev carrega no obturador.

A fotografia de Georgiev capta a vida rica de alguns dos habitantes mais pequenos do planeta. Numa imagem, uma formiga trepa um monte de terra íngreme. Noutra, uma joaninha bebe água de uma gota de orvalho numa longa folha de relva.

"Quanto mais pequenos são, mais escondido e interessante é o seu mundo para mim", diz Georgiev. O fotógrafo está sempre a reparar em algo novo: a maioria dos insectos não é tímida perto da sua câmara quando está a acasalar ou a alimentar-se. E nas manhãs húmidas, o orvalho agarra-se às asas das borboletas, pesando-as e permitindo que Georgiev se aproxime.

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GEORGI GEORGIEV

Uma fêmea de gafanhoto-do-prado, um dos mais abundantes da sua espécie na Europa, pousada numa folha de salgueiro nos Balcãs búlgaros. A maioria destas fêmeas não sabe cantar, ao contrário dos machos, que chamam as parceiras esfregando as patas traseiras contra as asas mais compridas.

"É possível ver o seu comportamento, como se alimentam, como se reproduzem, como sobrevivem", diz ele. Já viu libélulas acasaladas a formarem um coração. Viu formigas a trabalhar em equipa para desmembrar uma presa em minutos. "O seu mundo é tão belo quanto perigoso... Todos os dias, para estes pequenos animais, são dias de sobrevivência".

Os insectos são vitais para a saúde do planeta – e uma base crítica da cadeia alimentar global. Mantêm os nutrientes a fluir através do solo, polinizam as flores e as culturas de fruta do mundo e espalham sementes

Porém, as alterações climáticas, os pesticidas e a perda de habitat ameaçam estas criaturas. As populações de insectos estão em declínio acentuado. Ecologista de formação, Georgiev está perfeitamente familiarizado com o que está em jogo para os seus pequenos objectos. Mas fotografar a beleza dos insectos que prosperam nos seus habitats, diz ele, "faz-me sonhar. Faz-me ficar calmo e dá-me paz".

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GEORGI GEORGIEV

Entre cogumelos, um louva-a-deus estica as patas dianteiras, que usa para apanhar e segurar a presa. O fotógrafo Georgi Georgiev já viu estes predadores a caçar – e até a abater um lagarto –, mas também notou a forma delicada como limpam as patas dianteiras e as antenas.