Quando se pergunta ao veterinário Rodrigo Serra como se interessou pelo lince-ibérico (Lynx pardinus), o nosso entrevistado repete a história que a sua mãe, médica, lhe contou. Na década de 1980, perante a campanha lançada pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) para salvar o lince da Serra da Malcata, o pequeno Rodrigo terá dito à mãe que também queria ser médico… mas de linces. Hoje é coordenador do Programa de Conservação ex situ do Lince Ibérico.

Estivemos à conversa com Rodrigo Serra para avaliar o programa de reintrodução deste felino em solo ibérico e projectar o seu futuro. É, porém, pelos anos formativos que iniciamos esta entrevista. 

National Geographic (NG): No final dos anos 1990, não havia ainda na Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, onde se licenciou, grande vocação para a medicina veterinária aplicada aos animais selvagens?

Rodrigo Serra (RS): Não havia sequer cadeiras opcionais de vida selvagem. Era tudo medicina veterinária de pequenos ou de grandes [animais], inspecção ou investigação, e eu sempre gostei daquelas cadeiras que pudessem ser mais aplicadas. A partir do terceiro ano, começo a fazer contactos para fora e a ver onde é que haveria um mestrado de animais selvagens. Já andava de olho num do Institute of Zoology e do Royal Veterinary College, em Londres, Inglaterra. A partir do terceiro ano [de licenciatura], começo a enviar e-mails [para estas instituições]. Respondiam sempre “OK, mas tens de acabar o curso primeiro”. Quando acabo a parte curricular do curso em 1999 vou para Barcelona para um internato num hospital especializado em medicina interna de gatos domésticos, já candidatado a este mestrado. Fiz o meu treino acelerado num hospital aberto 24 horas por dia, [onde aprendi a] meter um sistema de cateter venoso e por aí fora… e fui finalmente aceite no tal mestrado porque houve uma desistência. Na minha tese final comparei a carga parasitária de chitas selvagens na Namíbia com as que existiam em cativeiro no Reino Unido.

NG: E depois dessa experiência?

RS: O mestrado [que concluo em Setembro de 2001] é bom porque  tem uma rede internacional: tive aulas com americanos, australianos e japoneses. Nessa altura, [abriu uma vaga no] projecto do Botswana para um veterinário que os ajudasse a trabalhar, em particular em imunodeficiência felina em leões. Os meus professores que trabalhavam nessa área – o John Lewis e o John Cooper – recomendaram-me e a mais dois colegas para ir trabalhar com eles. Fizeram-me uma entrevista e fiquei. A partir de Outubro, começo a trabalhar para o Okavango Lion Research Program como veterinário. Tinha o trabalho de anestesiar leões para lhes pôr coleiras com transmissor, mas também o de tirar amostras e processá-las em laboratório.

rodrigo serra

NG: Como volta a lembrar-se do lince-ibérico?

RS: Por esta altura, envio um e-mail ao Pedro Sarmento [director da Reserva da Malcata e coordenador da conservação do lince-ibérico em Portugal], porque recebia constantemente perguntas quer de professores, quer de colegas sobre o estado de lince-ibérico. Eu não fazia a mínima ideia, mas já estava a preparar o caminho para ver se podia ser útil. Ele responde-me dizendo “quando é que vens a Portugal para reunimos?”.

O estatuto já foi 'em vias de extinção'. Neste momento está 'ameaçado', mas se mantivermos os níveis que temos actualmente vamos passar para 'vulnerável' muito em breve. 

Reunimos em 2001, e começo logo em 2002 a ajudar na Malcata no projecto LIFE, de reintrodução de coelho. Nós tínhamos consciência já em 2002, 2003, já com o censo feito, que já não havia linces em Portugal. Não foi uma surpresa só em Portugal, foi uma surpresa a nível peninsular. Em 1998 e 1999, há duas reuniões para tentar harmonizar métodos. Fazer um censo à escala peninsular [permitia] comparar os resultados e perceber realmente em que estado é que estava a espécie.

O coelho é uma das principais presas do lince-ibérico. 

NG: E qual era, afinal?

RS: Os espanhóis avançam um ano antes de nós e apercebem-se que, de facto, estávamos com menos de 100, divididos em duas populações que não estavam contactadas há mais de 100 anos. Em Portugal não foi detectado um único. Concluímos o censo nacional em 2003 e os espanhóis em 2002. A nossa proposta de plano de acção global para a conservação da espécie para Portugal sai em 2004, e eu apresento o plano de acção para a conservação do lince em Portugal em 2004 e 2005. A bióloga Astrid Vargas [directora do programa de reprodução em cativeiro e do Centro de Cria El Acebuche, em Doñana] convida-me para fazer parte do Comité de Cria em Cativeiro do Lince-Ibérico (CCCLI) e eu comecei a ir às reuniões.

NG: Os espanhóis já estavam a fazer reprodução em cativeiro?

RS: Em 2004 foi quando se deu o arranque, quando se emparelharam os primeiros animais, mas a primeira reprodução só aconteceu em 2005. O meu contrato acaba em 2005. E entre 2005 e 2007, enquanto ia ao Botswana tratar dos leões e ia a Zurique processar a mostras, andei a representar Portugal sem nenhum vínculo oficial. Eu estava a fazer o doutoramento, mas tive de interromper por causa do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico.

NG: Como surge a ideia de construir o centro em Portugal?

RS: Decorre do processo da barragem de Odelouca. A LPN faz uma queixa à Comissão Europeia por causa da instalação da barragem em sítios de Rede Natura 2000.  Através da negociação entre as instituições portuguesas e a Comissão Europeia, foi decidido um programa de medidas de compensação ambiental e exigida pela Comissão Europeia uma medida de sobrecompensação ambiental que é a construção do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico. 

O primeiro lince chega a 26 de Outubro de 2009.

O fornecimento de água ao Algarve – onde vivo e trabalho – é crítico desde 2006. Portanto, era considerado uma obra crítica e eu entendo que tenha sido feita. Nessa altura, não existia lince na zona de Odemira, mas que potencialmente no futuro poderia vir a ser um corredor de dispersão, é verdade. Do ponto de vista do lince, afinal, é o que interessa. Eu não acompanhei o processo por dentro, mas terá havido resistência do Estado português em construir o centro de reprodução, porque não me parece que acreditassem [na recuperação da espécie]. Eu creio que, até dentro do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), havia pouca gente que acreditasse que o lince poderia ser reproduzido em cativeiro e sobrevivesse... que fosse um projecto com alguma possibilidade de sucesso. A própria Comissão Europeia não financiava projectos de reprodução em cativeiro como medida de conservação financiada pelos programas LIFE. Quando é que isto muda? Quando o projecto de reprodução em cativeiro de lince-ibérico tem o sucesso que teve. Houve aqui um shift muito grande. Este projecto teve muita responsabilidade nisso.

A percepção institucional e pública muda quando "o projecto de reprodução em cativeiro de lince-ibérico tem o sucesso que teve".

NG: Qual era nessa altura a sua posição?

RS: Estando envolvido directamente no projecto espanhol, sabia em que bases se fazia [a reprodução em cativeiro], conhecia o trajecto da Astrid, que tinha vindo do projecto de conservação do furão-de-pata-negra nos Estados Unidos, onde foi possível recuperar uma espécie que estava muito, muito mal através de outros projectos de reintrodução. Portanto, sabíamos que isso era possível. Em Portugal ninguém acreditava nisso, mas em Espanha foi visto como sendo uma medida necessária porque tinha de se fazer alguma coisa. Nas reuniões em 1999, do estudo de viabilidade populacional ficou logo claríssimo que era preciso avançar com ex situ [conservação fora do lugar de origem]. O ICNF – e os espanhóis da Astrid Vargas e o CCCLI – indicam-me a mim como a pessoa que melhor conhece os aspectos técnicos para desenhar o centro e acompanhar a construção para albergar linces-ibéricos. Em Novembro de 2006, continuando a trabalhar pro bono, ando à procura de sítios em conjunto com o ICNF e com as Águas do Algarve para a construção do centro, que obviamente se percebeu que teria que ser construído no Algarve. Fica concluído em 2009 e o primeiro lince chega a 26 de Outubro de desse ano.

silves

A equipa do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves (com Rodrigo na linha da frente), em 2018. Nesse ano, um incêndio obrigou à evacuação deste centro.

NG: Quantos linces vêm nessa fase para Portugal?

RS: A Azahar é a primeira a chegar, vem sozinha é a bandeira, mas durante um período de um mês chegam-nos 16 animais. De 26 de Outubro até Dezembro chegaram-nos os 16 animais com que ficámos ao início. A partir daqui, inicia-se uma nova fase que passa pela constituição e treino da equipa.

NG: Quantas pessoas constituíam essa equipa?

RS: Éramos nove. Não tínhamos ainda videovigilância contratada. Tínhamos um veterinário, um director veterinário, os tratadores, uma etóloga e acabou a conversa. Ainda antes de chegar o primeiro animal, antes de haver um contrato para a gestão do centro, mandei [estes profissionais] para Espanha para treinarem durante um mês.

"Em 2011, na primeira temporada de todos estes animais com animais inexperientes, temos nove crias e perdemo-las todas. O impacto foi duro."

NG: Havia 16 linces no centro. Qual era o passo seguinte?

RS: Todos os centros novos recebem animais ou muito jovens, inexperientes, ou animais que não reproduziram. Recebe-se animais de menor valor ao início. Não foi uma surpresa. Foi aquilo que disse quer às Águas do Algarve, quer ao ICNF (na altura ICNB): íamos precisar de três anos para pôr aquele centro a funcionar como deve ser e que tinham de ter paciência durante esses três anos, porque os resultados não iam ser imediatos. Sorte ou azar, a Azahar no primeiro ano reproduz logo. Dois meses depois de ter chegado já estava grávida, o que foi um sucesso comparado com o que tinha acontecido nos outros centros, onde nunca tinha engravidado... mas perdeu as crias e teria sido talvez melhor não ter engravidado, não criando essa expectativa. Em 2011, na primeira temporada de todos estes animais com animais inexperientes, temos nove crias e perdemo-las todas. O impacto foi duro, mas nunca desmoralizei. Perdi anos de vida. Nessa altura, começa a haver dúvidas na malta, mas em 2012, no segundo ano de reprodução a sério do centro, batemos o recorde. Tivemos 17 crias sobrevivas, o recorde de qualquer centro de cria.

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NG: O que explica esse sucesso?

RS: As fêmeas chegarem a idade de três anos é o mais importante. A partir daí começam a parir normalmente – agora sabemos isso, mas na altura ninguém sabia –, com taxas de êxito muito superiores. Passámos para os 80, 90% de êxito. Outra mudança muito importante foi a vegetação dentro dos cercados onde eles estavam. Apesar de termos posto plataformas e construções em madeira tridimensional e plantado aromáticas e plantado árvores, tudo isso estava muito incipiente.

Para fazer aquele centro, foi preciso cortar uma montanha, e não havia vegetação absolutamente nenhuma. E isso faz muita diferença ao fim de três anos. Durante três ou quatro anos consecutivos, batemos todos os recordes. Chegámos a ter 21 crias de uma só vez. Houve ainda um outro factor muito importante: tivemos pela primeira vez no nosso centro F1s, resultado do cruzamento de fundadores que já combina Sierra Morena com Doñana e esses dão um grande salto na produtividade do programa. É o que nós chamamos “a força dos híbridos”. A geração misturada tem uma maior taxa de sobrevivência, uma maior produtividade dos machos e um maior tamanho de ninhada. Esta mistura de fundadores gerou híbridos que produziam bastante mais do que aquilo que nós supúnhamos ser possível.

No último censo, de 2022, a população era de 1.668 linces, 261 em Portugal, dos quais 86 são crias e 49 eram fêmeas reprodutoras.

NG: Porque são geneticamente mais diversos?

RS: Sim, combinam a genética melhor e há aquela “força dos híbridos". Isto é uma expressão abusiva, mas no fundo está-se a combinar genética muito depauperada. Estamos a falar da espécie globalmente com menor diversidade genética conhecida depois da sequenciação que fizemos. É claramente a espécie sequenciada mais pobre que existe em todo o mundo. O tamanho médio de ninhada salta dos dois para os três e nós somos os primeiros a ter uma ninhada de cinco.

NG: Quando começam esses linces a ser libertados?

RS: A reintrodução experimental começa na Andaluzia em 2011 e soltam-se mais uns quantos em 2012. Aí começamos a pensar em aumentar a reintrodução. Finalmente, em 2014, iniciam-se as reintroduções na Extremadura, em Castilla la Mancha e em Portugal. Em média, temos reintroduzido 30 animais por ano. Já soltámos 371. Silves sozinho soltou 103.

NG: Mas os linces criados em Silves não foram todos soltos em Portugal?

RS: Em Portugal foram soltos 59 linces, 17 dos quais criados em Silves. O que interessa é a genética. O que determina onde cada um vai ser solto é a genética. O importante é que cada população seja o mais diversa possível.

NG: Neste momento qual a população de linces selvagens?

RS: No último censo, de 2022, a população era de 1.668 linces, 261 em Portugal, dos quais 86 são crias e 49 eram fêmeas reprodutoras. É um crescimento brutal! Será muito difícil não estarmos já a passar dos 2.000 este ano. Enquanto houver território para ocupar, é natural que estas populações continuem a expandir-se.

NG: Sabemos neste momento projectar a dimensão de uma população que possa ser estável?

RS: Sabemos. Todos os anos há uma reunião onde se avaliam novas áreas que foram estudadas. Em 2019, fizemos uma reunião entre Portugal, as comunidades autónomas de Espanha, as ONGs envolvidas e a União Internacional para a Conservação da Natureza, para decidir qual é que seria o número de animais que teríamos que ter para chegarmos ao Estatuto de Conservação Favorável. O estatuto já foi “em vias de extinção”. Neste momento está “ameaçado”, mas se mantivermos os níveis que temos actualmente vamos passar para “vulnerável” muito em breve. Temos de chegar ao “pouco preocupante”, e para atingir esse objectivo concluímos em 2019 que temos de chegar a 700 a 750 fêmeas e oito novas subpopulações (uma delas em Portugal) com o horizonte temporal de 2034. Agora com o novo estudo genético feito pela Estação Biológica de Doñana, chegamos à conclusão que com a falta de diversidade genética, para atingirmos esse estatuto, temos de chagar às 1.100 fêmeas reprodutoras. Portanto, aqui o horizonte temporal pode deslizar um bocadinho.

NG: Pode o sucesso do projecto gerar a ideia de que já há muitos linces e isso levar a um desinvestimento precoce?

RS: Isso pode sempre acontecer, mas nós temos acordos internacionais assinados e os projectos vão tendo de se adaptar. O Centro de Silves antes só fazia reprodução e hoje também recupera animais. Utilizamos o nosso know-how veterinário e de maneio, para os receber, recuperar e soltar. Vamo-nos sempre readaptando e, portanto, o projecto nunca se transformará num elefante branco. Neste momento, o que existe é um acordo entre Portugal, Espanha e as autonomias para continuar a reproduzir ao mesmo nível até 2034.

NG: Mas as medidas compensatórias decorrentes da construção da barragem duram até quando?

RS: Em 2025 termina o caderno de compensações imposto por Bruxelas, mas a participação financeira das águas não é total. O ICNF e o Estado alocaram uma parte substancial do seu orçamento ao financiamento do projecto. A lição a retirar do Projecto do Lince-Ibérico é que, quando se investe, os resultados aparecem e a conservação funciona. Ficou provado que a coisa funciona quando se alocam recursos humanos e financeiros e cooperação internacional a projectos muito difíceis. Com a fraca diversidade genética, não estamos nada convencidos que a população, deixada como está, sobreviva mais 30 anos...

O Centro de Silves antes só fazia reprodução e hoje também recupera animais.

NG: Em 2018 tiveram um grande susto quando um incêndio varreu a região onde se localiza o centro...

RS: Fomos obrigados a retirar 29 linces num espaço de pouco mais de 12 horas. Levámo-los para um ponto intermédio e depois mandámo-los para a Espanha. Demorámos quatro meses a reconstruir o centro, porque os danos nas instalações foram muito grandes. Houve uma grande colaboração entre o Programa Ex Situ, o ICNF, o Exército, os Bombeiros, a Protecção Civil e até das Câmaras Municipais como a de Lagoa que nos cedeu um pavilhão gimnodesportivo onde pudemos concentrar os linces antes de seguirem para Espanha. Houve uma colaboração fantástica nacional e internacional entre mais de 30 instituições.

NG: O veterinário Rodrigo Serra afeiçoa-se aos linces?

RS: Eu afeiçoo-me a alguns animais, mas a partir de certa altura comecei a ganhar uma certa resistência. Não nos podemos afeiçoar a todos. Já são muitos os animais nascidos. Para a sanidade mental, não convém uma pessoa afeiçoar-se muito.

NG: Por último, como acha que os portugueses e espanhóis têm olhado para este projecto?

RS: Nota-se uma grande mudança. No início, havia muita resistência e, agora, até em grupos mais difíceis de chegar como alguns caçadores de zonas interiores que tinham medo que os linces fossem comer as presas, [a percepção está] a mudar. Até nesses grupos acho que há agora um orgulho nacional e internacional, tornando-se [a recuperação do lince ibérico] numa bandeira de Portugal e de Espanha a nível internacional como um dos projectos de maior sucesso.

"Já são muitos os animais nascidos. Para a sanidade mental, não convém uma pessoa afeiçoar-se muito."

Quem é RODRIGO Serra?

Rodrigo recorda-se de, em criança, assistir religiosamente na companhia do pai aos documentários de natureza que os dois canais de então transmitiam ao fim-de-semana. Depois, veio a adolescência e os linces passaram para segundo plano, mas o rumo estava traçado. Durante a licenciatura em Medicina Veterinária, as unidades curriculares que fez com mais entusiasmo foram as de epidemiologia e de clínica de pequenos animais e orientadas para os gatos, de que sempre gostou.

Concluída a licenciatura, vendeu o carro que os pais lhe tinham oferecido de presente por ter terminado o curso e pediu um empréstimo ao banco para financiar o mestrado, a que se dedicava durante a semana. Ao fim-de-semana trabalhava. Passou por uma clínica e esteve ainda envolvido na campanha da febre aftosa, "que pagava muito bem": mais de 90 contos por dia. "Se bem me lembro, [trabalhei] 46 dias consecutivos e, com esse dinheiro, consegui pagar não só o empréstimo ao banco, como o empréstimo aos meus pais". 

Hoje, além de médico veterinário e mestre em Medicina e Consevação de animais selvagens, é sócio-gerente da empresa Investigação Veterinária Independente.