10 curiosidades sobre o lince-ibérico, o segundo mamífero mais ameaçado do planeta

O lince-ibérico tem sido um exemplo do sucesso das políticas de conservação e recuperação de espécies ameaçadas. O felino mais apreciado da Península Ibérica esteve à beira do desaparecimento no início deste século, mas está a recuperar a passos largos. Conheça algumas das suas particularidades.

Actualizado a

jhg
FOTO: ISTOCK

O mundo da conservação, mesmo que com reservas, pode festejar. De acordo com os dados oficiais, as populações de lince-ibérico (Lynx pardinus) recuperaram drasticamente nos últimos anos. Em 2002, havia apenas uma centena destes pequenos felinos na Península Ibérica. Estava em sério risco de extinção. Mas, de acordo com dados oficiais, em 2022 já se contavam mais de 1.600 em território peninsular. Esta é uma óptima notícia que transformou o felino outrora mais ameaçado do mundo num exemplo de conservação de espécies. No entanto, não podemos perder a guarda. Apesar de ter ultrapassado a situação mais crítica, o lince-ibérico continua a ser considerado oficialmente uma espécie ameaçada.

É o segundo felino mais ameaçado do mundo.

FOTO: ISTOCK

1 / 10

É o segundo felino mais ameaçado do mundo.

As populações de lince ibérico recuperaram a passos vistos nos últimos anos, mas ainda não há muito tempo era o felino mais ameaçado do mundo. Actualmente, tem a honra de ocupar o segundo lugar desta triste lista, que é encabeçada pelo leopardo de Amur (Panthera pardus orientalis), uma subespécie de leopardo que vive no norte da China e no Sudeste da Rússia e da qual existem menos de cem exemplares em estado selvagem.

Existem quatro espécies de lince

ISTOCK

2 / 10

Existem quatro espécies de lince

Actualmente, existem quatro espécies de lince: o lince-canadiano (Lynx canadensis), o lince euro-asiático (Lynx lynx), o lince-ibérico (Lynx pardinus) e o lince-pardo (Lynx rufus). Destes, o lince-ibérico é o mais ameaçado. Desde a extinção do tigre-de-dentes-de-sabre, há cerca de 10.000 anos, poucos felinos tiveram o mesmo destino. Assim, a perda do lince-ibérico será uma notícia terrível, não só para a família dos felinos, mas também para todos os esforços de conservação das espécies.

Está protegido desde a década de 1970

FOTO: ISTOCK

3 / 10

O lince-ibérico protegido desde 1967

O sucesso das actuais políticas de conservação salvou o lince ibérico da extinção, mas isso não significa que já não esteja em perigo. Nas últimas décadas, a espécie tem sido vítima de caçadores, que a perseguem pelas suas peles. Embora a caça seja actualmente considerada ilegal, continuam a registar-se casos de caça furtiva, bem como mortes acidentais provocadas por atropelamentos ou por armadilhas para coelhos e outros animais.

FOTO: ISTOCK

4 / 10

São animais muito territoriais

O lince-ibérico é um animal muito territorial e solitário. Estabelece domínios individuais que podem atingir áreas de 10 a 20 quilómetros quadrados. Uma vez adquirido o seu território, o macho procura uma fêmea para se reproduzir. Após o acasalamento, a fêmea procura uma árvore oca para dar à luz. Após cerca de 80 dias de gestação, dá à luz uma ninhada de uma a quatro crias.

Hoje existem mais de 260 linces-ibéricos em Portugal

FOTO: ISTOCK

5 / 10

Hoje existem mais de 260 linces-ibéricos em Portugal

Há quatro Centros de Reprodução em Cativeiro na Península Ibérica. Um deles fica em Portugal, mais precisamente em Silves, e é gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P. Segundo o último censo (de 2022), Espanha conta com cerca de 1.407 linces-ibéricos e Portugal 261. No nosso país, a maioria circula em liberdade no Vale do Guadiana, no Alentejo e no Algarve, e no país vizinho  podem ser observados na Extremadura, na Andaluzia e em algumas zonas de Castilla-La Mancha. Pode visitar o Centro de Interpretação do Lince Ibérico da Malcata, no concelho do Sabugal. 

FOTO: ISTOCK

6 / 10

Grande parte do seu sucesso deve-se à criação em cativeiro

O ressurgimento do lince-ibérico deve grande parte do seu sucesso aos programas de reprodução em cativeiro, uma vez que os programas de conservação ex situ (reprodução em cativeiro e repovoamento de espécimes) têm desempenhado um papel decisivo no repovoamento.

FOTO: ISTOCK

7 / 10

São caçadores exímios

O lince-ibérico é um caçador muito astuto. Normalmente, aproxima-se sorrateiramente da presa e salta rapidamente sobre ela, agarrando-a. Por vezes, aguarda pacientemente em pontos-chave – como junto a uma poça de água – e ataca a presa desprevenida.

FOTO: ISTOCK

8 / 10

O seu principal alimento são os coelhos

Esta é uma das principais razões pelas quais o seu número está a diminuir. O lince-ibérico tem uma dieta altamente especializada baseada no coelho, animal que representa quase 80% da sua alimentação. No entanto, no último século, as populações de presas foram drasticamente reduzidas, em parte devido à mixomatose, uma doença infecciosa viral proveniente de França. A fraca adaptabilidade desta espécie em termos de dieta é um dos factores que explicam o declínio das populações desta espécie.

FOTO: ISTOCK

9 / 10

A redução do seu habitat é a sua principal ameaça

Para além da disponibilidade de alimento, uma das maiores ameaças para o lince ibérico é a redução do habitat. As suas populações estão muito dispersas, pelo que a sua sobrevivência a longo prazo depende da garantia de deslocação entre grupos.

10 / 10

Confunde-se com o meio envolvente

Uma das suas características mais marcantes são as orelhas grandes, encimadas por pêlos pretos em forma de pincel, que também têm no queixo e que ajudam a confundir-se com o ambiente. Esta qualidade é particularmente útil na caça.