Os animais bebés são adoráveis e quando vemos um que aparenta estar em apuros é compreensível que queiramos ajudar.

“Os nossos cérebros – e os de muitas espécies – estão especificamente programados para querer ajudar bebés e mantê-los seguros”, diz Jennifer Verdolin, investigadora de comportamento animal da Universidade de Arizona, em Tucson. Contudo, um coelho bebé aparentemente abandonado, um veado sozinho na floresta ou um bisonte bebé lutando pela vida num parque nacional podem não precisar de assistência humana.

Recentemente, os funcionários do Parque Nacional de Yellowstone eutanasiaram um bisonte recém-nascido depois de o visitante Clifford Walters ter tentado ajudar uma cria, empurrando-a de um rio para a estrada situada nas proximidades. O jovem animal fora separado da sua progenitora quando a manada atravessou o rio. Uma vez na estrada, a cria não parava de se aproximar de pessoas e carros. O serviço do parque afirma ter decidido eutanasiar o animal depois de a sua manada o rejeitar repetidamente.

Quando a "ajuda" se torna um problema

“Infelizmente, o comportamento da cria nas estradas, e junto das pessoas, era perigoso, por isso, os vigilantes do parque tiveram de intervir”, disse o serviço num comunicado de imprensa. A assistência humana prestada à cria, disse, acabou por causar a morte do animal. Não se sabe se o animal teria conseguido juntar-se novamente à sua família. No final de Maio, Walters declarou-se culpado do crime de interferir intencionalmente com um animal selvagem e foi condenado a pagar uma multa de 500 dólares e contribuir com 500 dólares para um fundo de protecção de Yellowstone.

Saber quando um animal está verdadeiramente em perigo e como ajudá-lo em segurança é difícil, mesmo para os amantes da natureza bem-intencionados. Para avaliar essas situações, a National Geographic pediu dicas a Verdolin e a outros especialistas sobre como interagir com animais selvagens jovens, seja numa região bravia isolada ou no seu quintal.

Observe à distância

Se uma pessoa se aproximar de um animal bebé, este poderá fugir, dificultando ainda mais que o progenitor localize a sua cria, diz Verdolin. Em vez disso, a primeira coisa a fazer se vir um bebé deverá ser pegar nuns binóculos, sugere.

Os coelhos e os veados bebés, por exemplo, ficam frequentemente sozinhos durante longos períodos quando não estão a ser alimentados – escondidos em ervas altas ou arbustos enquanto o progenitor se alimenta, diz David Mizejewsky, naturalista da National Wildlife Federation e especialista em vida selvagem da Nat Geo WILD. É provável que estes progenitores deixem as crias sozinhas para minimizar distúrbios que captem a atenção de predadores, afirma. Além disso, acrescenta, por vezes os bebés são frágeis e não queremos aumentar o seu stress interagindo desnecessariamente com eles.

Os répteis ficam tipicamente sozinhos assim que nascem e não costumam precisar de assistência humana, diz Mizejewski. De um modo geral, as pessoas devem dar espaço aos animais selvagens. Muitos parques pedem aos visitantes que permaneçam a uma distância mínima de cerca de 25 metros – ou muito mais, caso se trate de um predador como um leão ou um urso.

Segundo o Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos da América, se estiver suficientemente perto para conseguir tirar uma selfie, é porque está demasiado perto.

 

Tente perceber se o animal está ferido 

Quando um animal está visivelmente ferido, a melhor abordagem é contactar o departamento local de animais selvagens, um veterinário ou uma pessoa credenciada em reabilitação de vida selvagem e aconselhar-se sobre o que fazer a seguir.

Se o animal não estiver ferido de forma evidente, ser-lhe-á dito que espere um dia para ver se o progenitor regressa, diz Verdolin.

Nunca tente matar um animal ferido, adverte. Pode não conseguir fazê-lo de forma humana e também poderá estar a violar a lei.

As mães rejeitam os bebés se houver contacto humano?

Um mito frequentemente repetido diz que, se pegar num animal bebé, sobretudo uma ave, a sua progenitora poderá rejeitá-lo. Verdolin e Mizejewski não conhecem qualquer espécie animal que rejeite os seus pelo simples facto de terem estado em contacto com um ser humano.

As razões para um progenitor abandonar, efectivamente, um bebé podem incluir o tempo que o bebé esteve afastado da família e outros factores de stress, como a disponibilidade de alimento. “Se a progenitora estiver muito stressada, por alguma razão, e interferirmos com o bebé, ela pode decidir reduzir os prejuízos e partir”, diz Mizejewski.

Quando intervir

Existem várias situações em que os seres humanos podem ajudar animais selvagens. Por exemplo, se derrubar um ninho de uma árvore ou se vir um passarinho cair, poderá devolvê-lo delicadamente ao ninho, na maioria dos casos.

O Laboratório de Ornitologia de Cornell diz que as aves não reconhecem as suas crias pelo cheiro, por isso o odor humano não será um problema. Contudo, as aves só devem ser devolvidas aos ninhos se forem muito pequenas – pintos com pouquíssimas penas e incapazes de caminhar, bater as asas ou agarrarem-se com força a um dedo.

Os pintos maiores – cobertos de penugem fofa, dedos capazes de agarrarem com força um galho ou um dedo humano, devem sempre ser deixados no local onde estavam, diz o Laboratório. Os progenitores podem não estar visíveis, mas é provável que se encontrem por perto, observando o seu bebé enquanto ele aprende a voar, ou a cuidar dos outros filhotes.

Embora seja difícil não fazer nada, por vezes os animais feridos morrem ou tornam-se o alimento de que outro animal precisa para alimentar a sua família, diz Verdolin. Um animal que serve de presa a outro é algo que faz parte da natureza – por difícil que seja de ver.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.