Islândia: a terra dos vulcões mais imprevisíveis do mundo

Nesta terra de gelo e fogo no norte da Europa, o frio glaciar e o calor do interior da Terra dão as mãos para criar algumas das paisagens mais impressionantes do planeta.

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AP/MARCO DI MARCO

A erupção do vulcão Fagradalsfjall, a quatro quilómetros da cidade de Grindavík, não passou despercebida em Dezembro de 2023 (na fotografia). Um mês depois das tréguas, voltou à carga. 

As forças da natureza mostram os seus impulsos primitivos numa das paisagens naturais mais impressionantes do planeta: a Islândia. Situada no extremo setentrional da dorsal Meso-Atlântica, no ponto de separação entre as placas tectónicas euro-asiática e norte-americana, esta ilha é um autêntico espectáculo natural.

A separação destas placas é a responsável pela grande actividade vulcânica da Islândia. Mas é também muito mais do que isso: é a sua razão de ser. Situada na linha de divergência entre ambas as placas tectónicas – o ponto onde se afastam uma da outra, a sua separação faz com que a acumulação de magma existente sob o manto terrestre se infiltre através das fissuras, dando origem a erupções vulcânicas ao aproximar-se da superfície.

Embora essas erupções possam ser perigosas e causar danos, a ilha possui uma actividade vulcânica constante e dispõe de grandes infra-estruturas dedicadas à prevenção destes eventos, bem como os possíveis danos por eles causados. Os vulcões da Islândia são uma fonte de inesgotável beleza que transforma constantemente a paisagem, dando origem a alguns dos cenários mais fascinantes da Terra. O fogo e o gelo forjaram a ilha ao longo de milénios e fazem parte da história e da cultura dos seus habitantes.

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AP/MARCO DI MARCO

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Fagradalsfjall e a erupção mais recente

Segundo o The Guardian, a mais recente erupção deste vulcão, a quinta desde 2021, coloca Grindavík, com 3.800 habitantes, numa situação delicada. Deixará esta cidade de existir? Poderão perder todas estas pessoas as suas casas? Em Dezembro de 2023 os locais foram evacuados, mas regressaram por uns dias ao ponto de partida. Após um mês de tréguas, tiveram de sair de novo. Depois de uma sequência de sismos, o vulcão entrou em erupção. A península de Reykjanes não será a mesma depois do dia 14 de Janeiro de 2024. 

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Eyjafjallajökull, o vulcão que parou o trânsito (aéreo na Europa)

Em 2010, o vulcão Eyjafjallajökull deixou de ser um perfeito desconhecido para o público em geral e ocupou as manchetes globais da comunicação social durante semanas. Acabara de entrar em erupção e os seus efeitos fizeram-se notar rapidamente, obrigando a interromper o tráfego aéreo em toda a Europa.

A erupção deste vulcão situado no sul da ilha prolongou-se ao longo de semanas. Enormes quantidades de cinza vulcânica dispersaram-se na atmosfera, impedindo voos em toda a Europa, afectando milhares de pessoas que se viram obrigadas a cancelar ou adiar as suas viagens.

Calcula-se que este estratovulcão se tenha formado há cerca de 780.000 anos, o que significa que é um dos mais antigos da ilha. Possui uma particularidade que partilha com muitos vulcões islandeses: está parcialmente coberto por um glaciar, razão pela qual, quando entrou em erupção em 2010, gerou uma nuvem intensa de vapor de água que, juntamente com a cinza expelida pela cratera, cobriu o espaço aéreo de todo o continente europeu.

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Öskjuvatn e Viti, os lagos do interior da cratera do vulcão Askja

A cratera do vulcão Askja esconde alguns dos segredos mais bem guardados da geografia islandesa. Dominando a região central da ilha, esta cratera alberga alguns dos lagos mais fascinantes do país, como o lago Viti – no primeiro plano da imagem – e o lago Öskjuvatn, um dos maiores e profundos do país.

É essa beleza tão singular que torna o vulcão Askja um dos mais famosos da Islândia. Apesar de a sua última erupção ter ocorrido em 1961 e durado várias semanas, o Askja caracteriza-se por ser um vulcão muito activo, mas menos devastador do que a grande maioria dos vulcões islandeses.

A sua relação com o lago Öskjuvatn é realmente curiosa: a erupção do Askja em 1875 deu origem à formação dos lagos Öskjuvatn e Viti no fundo da sua caldeira vulcânica. Por sua vez, os lagos são alimentados pela água trazida pelo rio Kaldakvísl, nascido no vulcão Askja. Uma relação de causa-efeito que criou uma das paisagens mais impressionantes do país.

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Myrdalsjokull, o glaciar sobre o vulcão Katla

Na Islândia, os vulcões e os glaciares andam frequente de mãos dadas. É o caso do Katla, um dos vulcões mais potentes do sul da Islândia, e do Mýrdalsjökull, o glaciar que o cobre.

Desde o ano 930 registou-se um total de 16 erupções, a última das quais em 1918, razão pela qual este vulcão é intensamente monitorizado pelos cientistas da ilha. Historicamente, o seu período entre erupções é entre 40 e 80 anos, por isso a grande quantidade de gelo que o cobre e a sua proximidade de zonas habitadas transformam-no num dos mais perigosos da Islândia.

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FOTOGRAFIA: NASA, GSFC, MODIS RAPID RESPONSE TEAM

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O vulcão Grimsvötn, um dos mais potentes da Islândia, visto do espaço

Situado no extremo noroeste do glaciar Vatnajökull, o sistema lacustre-vulcânico de Grimsvötn ergue-se 1.725 metros acima do nível do mar. Dada a sua localização, estes lagos encontram-se sob um manto gelado que também cobre a grande câmara magmática do vulcão homónimo, cuja caldeira se estende ao longo de 35 quilómetros quadrados.

O seu salto para a fama internacional ocorreu em 2011, quando a sua erupção causou graves problemas no tráfego aéreo da Europa – como se pode observar na imagem de satélite captada pela NASA – um acontecimento que se repetiu durante várias semanas em 2020.

No caso específico do Grimsvötn, é muito frequente ocorrerem jökulhlaups durante as suas erupções consequências de uma erupção vulcânica ocorrida sob um glaciar. Quando a lava entra em contacto com o gelo, ocorrem grandes cheias e soltam-se enormes blocos de gelo que destroem tudo ao longo da sua passagem, razão pela qual os vulcanólogos os estudam pormenorizadamente para tentar antecipar estes eventos e conseguirem evacuar as populações dos vales limítrofes com antecedência.

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FOTOGRAFIA: ISTOCK

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Snæfellsjökull, o grande vulcão do oeste islandês

Situado no parque nacional homónimo, este vulcão é um dos recantos mais singulares do país por vários motivos. Em primeiro lugar, encontra-se a 120 quilómetros de Reiquiavique, sendo o único grande vulcão do extremo ocidental da ilha. Além disso, é o protagonista de várias histórias e lendas, a mais famosa das quais diz que a entrada do percurso subterrâneo que o escritor Júlio Verne propôs aos seus leitores no seu romance Viagem ao Centro da Terra se situa no vulcão Snæfellsjökull.

Graças à sua fama internacional, este vulcão é um dos mais emblemáticos da Islândia e é considerado um símbolo nacional.

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FOTOGRAFIA: ISTOCK

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O vulcão Hekla, o mais activo da ilha

Situado no sudoeste da ilha, o Hekla é o vulcão mais activo da Islândia, com mais de 20 erupções registadas desde o século IX. Durante a sua erupção de 1947, uma das mais devastadoras da sua história, a coluna de fogo e cinzas elevou-se mais de 30 quilómetros.

Ao contrário da maioria dos estratovulcões, o Hekla esconde uma rareza geológica muito curiosa: não tem uma cratera, irrompendo através de uma fissura que atravessa a sua crista.

Durante a Idade Média, pensava-se que o Hekla era uma das portas do inferno, razão pela qual foi apelidado de “a prisão de Judas”.

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Os arredores do Bárðarbunga entram em erupção em 2014

A segunda montanha mais alta da Islândia é um vulcão activo situado sob a camada de gelo do glaciar Vatnajökull, o maior da Islândia. O Bárðarbunga faz parte de um sistema vulcânico com cerca de 200 quilómetros de comprimento e 25 quilómetros de largura e, embora a sua última erupção tenha ocorrido em 1910, houve um enxame sísmico sob o glaciar em Agosto de 2014, que gerou 1155 terremotos com até 3 graus na escala de Richter.

As primeiras investigações encontraram diversas depressões glaciares a sul do vulcão e, mais tarde, confirmou-se a erupção sub-glaciar, que veio a causar uma erupção através de uma fissura no campo de lava de Holuhraun, como se pode ver na imagem, situada entre os vulcões Bárðarbunga e Askja.