Conhecido em todo o mundo como um acompanhamento essencial do shushi, o wasabi é um condimento extraído do rizoma da planta com o mesmo nome, um rabanete conhecido pelo nome científico de Eutrema japonicum ou Cochlearia wasabiA força do seu sabor intenso reside principalmente nos vapores que produzem, em quem os inala, uma sensação de ardor que se dissipa ao fim de pouco tempo.

Um estudo levado a cabo por uma equipa de investigadores do Centro de Conservação do Grande Museu Egípcio do Cairo, cujos resultadosforam recentemente publicados no Journal of Archaeological Science, sublinha que o poder fungicida do vapor de wasabi é capaz de matar todos os microrganismos presentes no antigo papiro egípcio sem causar qualquer dano. Muito pelo contrário.

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Imagem de uma raiz de wasabi junto a um prato com a especiaria pronta a ser consumida.

VAPORES DE WASABI

Até agora, os métodos utilizados pelos restauradores para limpar e desinfectar o papiro apresentavam alguns inconvenientes. De facto, os produtos químicos utilizados para eliminar os microrganismos acabavam por danificar o papiro e alterar significativamente os seus pigmentos e as suas fibras. O recurso aos raios ultravioleta e ao calor também não assegurava a eliminação dos agentes biológicos que tinham contaminado o papiro, mesmo que essas técnicas não causassem danos colaterais.

Até à data, os métodos utilizados pelos restauradores para limpar e desinfectar os papiros têm tido alguns inconvenientes.

Mas como é que os investigadores chegaram à conclusão de que o wasabi podia ser utilizado como agente restaurador? O primeiro passo foi uma amostra de papiro contaminado à qual aplicaram diferentes pigmentos, como vermelho, amarelo e azul. Em seguida, misturaram o extracto de wasabi com água destilada pura e submeteram a amostra aos vapores do extracto aquoso da planta durante 72 horas.

Após este período, e depois de examinarem a amostra através de análises microbiológicas e espectroscópicas, os cientistas verificaram que todos os microrganismos tinham sido eliminados sem danificar nem a fibra nem os pigmentos do papiro.

UMA RAIZ EFICAZ

Posteriormente, a amostra foi submetida a um envelhecimento acelerado equivalente a cerca de 100 anos e, mesmo assim, não foram detectadas alterações substanciais, confirmando a eficácia a longo prazo do tratamento com wasabi. Após o sucesso da experiência, os investigadores estão convencidos de que este novo sistema pode representar uma vantagem fundamental em relação a outros métodos que podem ser muito mais agressivos a longo prazo.

A amostra foi submetida a um envelhecimento acelerado equivalente a cerca de 100 anos e, mesmo assim, não foram detectadas alterações substanciais.

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DOMÍNIO PÚBLICO

Cena de psicostasia, ou pesagem do coração, na sala de julgamento de Osíris. Papiro de Ani, em exposição no Museu Britânico, Londres.

Os investigadores acreditam que esta experiência inovadora provou, sem margem para dúvidas, que o wasabi pode ser uma alternativa natural e segura para o restauro e a desinfecção de papiros egípcios antigos, e que preserva eficazmente a sua integridade física e química.

Este novo estudo abre também a porta à aplicação desta nova técnica a outros objectos, como pergaminhos ou pinturas ameaçados pelo efeito microbiano da passagem do tempo.