Consultores José Manuel Lopes Cordeiro e Confraria do Bom Jesus do Monte Fonte: “O Elevador do Bom Jesus do Monte” (2001)

elevador Bom Jesus

Trata-se do mais antigo do mundo, ainda em serviço, alimentado por um sistema de contrapeso de água. Fomentado por um empresário pioneiro da cidade, Manuel Joaquim Gomes, foi desenhado à distância pelo engenheiro suíço Nikolaus Riggenbach, mas o grande mérito coube ao jovem engenheiro luso-francês Raul Mesnier de Ponsard que interpretou os desenhos recebidos por correio e testou na encosta as soluções possíveis.

elevador Bom Jesus

1. A força motriz é a água das fontes e minas da estância do Bom Jesus, ligadas por tubagem a um depósito no subsolo. Não é necessário recorrer à rede pública. Nos outros funiculares conhecidos, usa-se água da rede pública ou uma bomba eléctrica, que consome energia.

2. Para accionar a marcha, o condutor abre a torneira da água e enche o reservatório até ao nível desejado, dependente do número (e peso) dos ocupantes.

3. Cada cabina tem um reservatório de 5.850 litros de água. A cabina superior torna-se assim mais pesada do que a inferior e o movimento inicia-se com a libertação dos freios das duas cabinas.

4. No sopé do monte, a água é descarregada e o ciclo repete-se. Além de contrapeso, o reservatório alimenta o circuito de refrigeração dos travões dianteiros.

5. O volante é a peça fundamental para gerir o cabo e, consequentemente, promover a ascensão ou descida do elevador. 

6. O duplo carril com cremalheira central assenta em travessas de madeira.

7. A madeira proveniente das árvores abatidas para construção da rampa foi usada no elevador.

Foi inaugurado em 25 de Março de 1882 e não se conhecia nada assim na Península Ibérica. O projecto foi logo pensado para funcionar a água, pois o país não tinha carvão em quantidade suficiente (era importado) e a água abundava naquela zona.

MANUEL JOAQUIM GOMES

MANUEL JOAQUIM GOMES (1840-1894)

Imaginativo e criativo, o empresário bracarense também conhecido como o Burnay do Minho, começara a carreira na panificação. Dinâmico, fez crescer os negócios e ganhou credibilidade em Braga. Casou com uma jovem oriunda de uma família endinheirada, o que lhe deu capital para projectos mais ousados. Na década de 1870, assumiu preponderância na Companhia de Carris de Braga, inaugurando em 19 de Maio de 1877 o transporte público na cidade em carros rebocados por animais de tiro. Controlava portanto os transportes públicos em Braga: da estação ferroviária ao lugar dos Peões, no outro extremo da cidade e depois no acesso ao pórtico do escadório do Bom Jesus do Monte.