A arte pré-histórica do Gobustão tem contribuído para compreender como os primeiros humanos do Magdalenense construíram os seus símbolos e mensagens.

Durante quatro anos, uma equipa de especialistas de vários países conseguiu documentar uma  das rochas com maior número de figuras deste  sítio arqueológico: a Rocha 29 de Anazaga. Com mais de 150 figuras gravadas, a rocha contém imagens de embarcações, animais e inúmeras figuras humanas. Destaca-se sobretudo a indefinição que os artistas procuraram ao definirem o género. Nenhuma gravura apresenta características sexuais. As sobreposições entre figuras neste painel com mais de quatro metros permitem intuir o desenvolvimento dos primeiros momentos da arte. Anazaga foi possivelmente concebida há 12 mil anos, não apenas como um local de ocupação, mas também como um espaço para a realização de rituais que transcendiam o tempo. 

As representações humanas, quase sempre gravadas em grupos, foram criadas de perfil e de frente e concebidas para serem facilmente percebidas, através do rebaixamento do suporte por picotagem ou abrasão. Apesar da sua simplicidade formal, algumas apresentam toucados e até objectos (talvez capacetes?) que os cobrem, bem como saias e outros elementos nas ancas. Parece certo que estes grupos pré-históricos se preocupavam com a sua imagem, revelando uma certa “percepção do outro”.