Estes 5 exploradores desapareceram sem deixar rasto

Desde Amelia Earhart à expedição de Percy Fawcett à Cidade Perdida de Z, o destino destes cinco exploradores ainda hoje permanece envolto em mistério. No caso da primeira mulher a sobrevoar o Atlântico, pode estar perto de ser desvendado.

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FOTOGRAFIA VIA ROYAL GEOGRAPHICAL SOCIETY

George Mallory, o segundo a contar da esquerda na fila de trás, desapareceu na fatídica expedição ao Evereste de 1924.

A história do Ocidente está repleta de façanhas ousadas de exploradores – Lewis e Clark na América do Norte, John Cabot no Canadá, Marco Polo na Rota da Seda – e por aí adiante. Mas o que terá acontecido aos exploradores que partiram com o mesmo optimismo que estas celebridades e encontraram uma adversidade misteriosa? Conheça cinco exploradores que tinham as mesmas vantagens que os seus congéneres bem-sucedidos, mas não alcançaram os seus objectivos e deixaram poucos vestígios dos seus verdadeiros destinos.

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FOTOGRAFIA POR CORTESIA DA BIBLIOTECA DO CONGRESSO, GETTY IMAGES

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O estranho desaparecimento de Amelia Earhart

Amelia Earhart era mundialmente famosa: foi a primeira mulher a sobrevoar sozinha o Atlântico e a primeira pessoa a voar desde o Hawai até à Califórnia. O seu voo à volta do mundo em 1937 seria o seu último desafio. Quando descolou de Miami, no dia 1 de Junho de 1937, ia acompanhada pelo experiente navegador Frederick Noonan. As etapas da viagem de 46.670 quilómetros foram árduas, mas a etapa do Pacífico, com 4.113 quilómetros, desde a Nova Guiné até à minúscula ilha de Howland, revelou-se a mais difícil de todas. Ainda no ar, a aviadora comunicou através do rádio, dizendo que não conseguia ver a ilha e estava a ficar sem combustível. Em seguida: silêncio. 

Já em 2024, a 30 de Janeiro, o director executivo da companhia Deep Sea Vision comunicou que a sua equipa captara uma imagem dos destroços do avião em que seguiam Amelia e Frederick, a 160 quilómetros de Howland, entre a Austrália e o Hawai: “Não se conhecem outros acidentes na zona, e certamente não daquela época, com aquele tipo de design com a cauda que se vê claramente na imagem”, declarou Tony Romeo. O local exacto da alegada descoberta mantém-se, no entanto, no segredo dos deuses.

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PINTURA DE JOHN HERBERT EVELYN VIA THE HUNTINGTON LIBRARY, ART COLLECTIONS & BOTANICAL GARDENS, THE BRIDGEMAN ART LIBRARY

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A desconcertante demanda mexicana de Ambrose Bierce

Ambrose Bierce não era um explorador típico. Veterano da guerra civil, era também jornalista e poeta, conhecido pelos seus escritos cínicos com laivos de misantropia. Uma das suas descrições, publicada no seu Devil’s Dictionary, por exemplo, diz “Fidelidade: uma virtude peculiar daqueles que estão prestes a serem traídos”. Em 1913, após a morte da sua família e perante o seu declínio profissional, Bierce, então com 71 anos, decidiu visitar campos de batalha da Guerra Civil, incluindo Missionary Ridge e Chickamauga, dirigindo-se posteriormente ao México.

“Vou ao México com um objectivo muito bem definido que não posso revelar neste momento”, escreveu ao seu secretário. Poderá ter-se juntado ao exército rebelde de Pancho Villa e viajado com este até Chihuahua. Os relatos de uma das batalhas de Villa mencionam um “velho gringo” morto num combate. Seria Bierce? Ou terá ele continuado a viver no México, na Califórnia, em França ou no Brasil – como vários relatos mencionaram ao longo dos anos?

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O fracasso de Franklin em busca da Passagem do Noroeste

O explorador e oficial da Marinha Real Britânica Sir John Franklin partiu de Inglaterra em 1845 com 129 tripulantes e oficiais em busca da Passagem do Noroeste – uma rota de navegação que ligaria o Atlântico ao Pacífico através do Canadá. Estavam bastante bem equipados, com navios revestidos a ferro, provisões alimentares para três anos e até uma incipiente câmara de daguerreótipo. Em vez de encontrarem a Passagem, porém, os navios Terror e Erebus  ficaram presos no recanto mais traiçoeiro e atafulhado de gelo do Árctico Canadiano, a norte de King William Island. Vinte e quatro homens tinham morrido até Abril de 1848, incluindo o capitão. O novo capitão, Francis Crozier, abandonou, aparentemente, os navios e aventurou-se sobre o terreno gelado com a restante tripulação, numa tentativa desesperada de chegar a terra firme. Caçadores Inuit relataram ter visto homens sujos arrastando trenós sobre o gelo.

Alguns corpos foram encontrados desde então, juntamente com acampamentos abandonados e alguns objectos, incluindo colheres de sobremesa em prata e pedaços de camisas de algodão. Em 2014, o naufrágio do Erebus foi localizado, seguido do Terror, em 2016. Embora os destroços não tenham resolvido o mistério do que terá matado os homens, alguns dos ossos recuperados tinham marcas de faca, sugerindo que a tripulação tentou evitar morrer de fome recorrendo ao canibalismo.

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LEO FREITAS, GETTY IMAGES

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A Cidade Perdida de Z de Fawcett

O explorador britânico Coronel Percy Harrison Fawcett já empreendera várias expedições à Amazónia no início do século XX quando encontrou um documento português irresistível na Biblioteca Nacional do Brasil. Descrevendo em pormenor “uma cidade grande escondida e muito antiga sem habitantes descoberta no ano 1753”, o documento mencionava ruínas grandiosas escondidas na selva de Mato Grosso. Fawcett decidiu partir imediatamente em busca das ruínas, às quais chamou Cidade Perdida de Z (na foto, uma vista aérea do território indígena Xingu, no Brasil, considerado uma possível localização da Cidade de Z).

Após uma tentativa fracassada de encontrar o fabuloso local, Fawcett, o seu filho Jack, o amigo do seu filho Raleigh Rimell e dois trabalhadores locais entraram no mato brasileiro em Abril de 1925. Escreveram o seu último relato a 20 de Maio. Os seus ajudantes brasileiros tinham-nos abandonado, disse Fawcett, mas “não precisam de temer o fracasso”. Nunca mais se ouviu falar neles.

O seu desaparecimento tornou-se uma obsessão e vários aventureiros tentaram seguir-lhes as pegadas ao longo das décadas seguintes. Um repórter que foi em busca de Fawcett em 1930 também desapareceu, bem como um caçador suíço e a sua equipa de resgate. Relatos não confirmados vindos da selva mencionavam prisioneiros de pele pálida e os seus filhos pequenos, mas Fawcett e o seu grupo nunca foram encontrados.

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FOTOGRAFIA DE GEORGE LEIGH MALLORY, ROYAL GEOGRAPHICAL SOCIETY/GETTY IMAGES

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A ascensão fatídica de Mallory ao Evereste

As esperanças do mundo, ou pelo menos da comunidade montanhista do mundo, estavam depositadas em George Leigh Mallory quando ele iniciou a sua terceira tentativa de alcançar o cume do Monte Evereste em Abril de 1924. O alpinista inglês já alcançara 8.300 metros de altitude, cerca de 550 metros abaixo do pico do Evereste, numa expedição em 1928. Desta vez, tencionava chegar ao topo.

No dia 8 de Junho, Mallory e o seu jovem companheiro, Sandy Irvine, partiram naquela que esperavam ser a etapa final. Foram vistos por outro alpinista – a cerca de 240 metros verticais abaixo do cume. Depois, caiu um nevão e os alpinistas desapareceram.

O corpo de Mallory só foi recuperado 75 anos mais tarde. Em 1999, o alpinista Conrad Anker descobriu o cadáver congelado de Mallory a 8.156 metros de altitude na vertente norte da montanha. O corpo de Irvine ainda não foi encontrado.

Não sabemos se Mallory ia a caminho do topo ou se estava a regressar de uma ascensão bem-sucedida. Caso tenha chegado ao pico, venceu Edmund Hillary, o montanhista neozelandês aclamado como o primeiro homem a alcançar o cume do Evereste, na sua ascensão de sucesso em 1953. Contudo, o mundo poderá nunca saber o que aconteceu.

A fotografia do Monte Makalu (em cima), foi captada por Mallory a partir do acampamento da expedição, montado abaixo da portela de Langma La, na sua expedição de 1921.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

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