Efemérides de 2024: Camões, Lucy, um manifesto, uma sinfonia e uma república

À procura de uma lista de vários eventos e vultos que este ano terão oportunidade de serem lembrados? Pode começar por ler esta.

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BRUNO ISMAEL SILVA ALVES/ SHUTTERSTOCK

Camões representado no Desfile da História de Portugal, durante a celebração do Dia dos Pais (São José) na Póvoa de Lanhoso, Portugal, a 17 de Março de 2019.

Em 2024 são vastas as oportunidades de celebrarmos aniversários redondos, efemérides que marcam acontecimentos e figuras importantes da nossa História. Para que nada passe despercebido aos leitores da National Geographic, deixamos aqui uma lista de vários eventos e pessoas importantes que este ano terão oportunidade de serem lembrados. De certa maneira, devemos fazer um spoiler alert… porque é quase certo que iremos abordar alguns destes assuntos nos próximos doze meses.

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SHUTTERSTOCK / Stefano Chiacchiarini '74

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200 anos da estreia da 9ª Sinfonia de Beethoven

A 7 de Maio de 1824, tocou-se pela primeira vez em público aquela que é, provavelmente, a mais conhecida obra de música clássica. Ludwig van Beethoven, nesta altura já praticamente surdo, demorou dois anos a terminar a obra e embora planeasse estreá-la em Berlim – porque a sua habitual Viena estava dominada pelos estilos e gostos de italianos como Rossini – foi convencido por amigos influentes a inaugurar aquela que seria a sua obra maior na capital austríaca.

O sucesso foi fulgurante, mas o compositor não pôde desfrutar em pleno dos louros: ficou para a história o momento em que um Beethoven que co-dirigia a orquestra com Michael Umlauf teve de ser virado para uma plateia de pé em forte ovação pela contralto Caroline Unger, vendo a adoração do público que os seus ouvidos não conseguiam captar. O tema viria a tornar-se um hino para o Partido Nazi, a Revolução Cultural Chinesa e a União Europeia. Integrou ainda bandas sonoras de  filmes como “Assalto ao arranha-céus” ou “Laranja Mecânica”

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SHUTTERSTOCK / Claudio Divizia

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100 anos da publicação do Manifesto Surrealista

1924 é o ano do fim do Império Otomano, dos primeiros Jogos Olímpicos de Inverno e do nascimento do actor Marlon Brando. Porém, destacamos aquele que foi, sem dúvida, um dos acordos de paz mais complicados e menos duradouros do século XX. Os surrealistas, herdeiros de uma revolução artística lançada por Guillaume Apollinaire, eram por natureza dissidentes.

Amantes da subversão da realidade em todos as suas dimensões (por vezes, não distinguindo a arte da vida), era difícil entenderem-se e dividiam-se em dois grandes grupos: um liderado por Yvan Goll e outro por André Breton. O problema principal era o de quem em primeiro descrevera de forma teórica o Surrealismo e a questão envolveu até confrontos físicos entre as duas facções.

Foi em 1924 que Breton publicou o mais conhecido dos manifestos, acentuando o carácter anárquico da arte surrealista e enumerando os grandes percursores do surrealismo. A saber: Dante Alighieri, Charles Baudelaire ou Arthur Rimbaud à cabeça, mas também os dadaístas, mais próximos temporalmente. 

Contemporaneamente ou mais tarde, Joan Miró, Salvador Dali, Frida Khalo, René Magritte e Cruzeiro Seixas, na pintura, Mário de Cesariny e André Breton, na literatura, e Luis Buñuel e David Lynch, no cinema, inundaram a realidade de sonhos, impossibilidades artisticamente possíveis e amour fou

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BENNY MARTY/ SHUTTERSTOCK

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500 anos do nascimento de Camões

A meio ano da efeméride, não está ainda fechado o programa oficial de comemorações do nascimento de um dos nomes maiores das nossas letras  Camões é nome presente no dia nacional de Portugal e o autor de “Os Lusíadas”.

Mesmo que uma grande parte das informações biográficas sobre Camões não sejam totalmente fidedignas e se tenham tornado quase em folclore nacional, através da genealogia depreendemos que os seus pais deviam ser Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, pertencendo a uma família de baixa nobreza originária da Galiza. Terá nascido em Lisboa, Coimbra, Santarém ou Alenquer, com maior probabilidade para a primeira.

A sua escrita, pelo estilo e referências culturais, indicam uma educação cuidada e essa circunstância permitiu-lhe criar uma fama que em muito superou a sua origem quase humilde. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", escreveu Luís Vaz de Camões, mas o que não muda é a vital importância da poesia e ideias camonianas na nossa cultura.

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Shutterstock / Simone Migliaro

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50 anos da descoberta de Lucy, o nosso antepassado

A designação Al-288 I pode dizer-lhe pouco. A não ser que tenha um conhecimento de nicho acerca de antropologia. Nesse caso, saberá que este frio código se refere ao fóssil da Autralopithecus Lucy, descoberta em Novembro de 1974 em Afar, na Etiópia.

Os ossos desenterrados e descritos por Donald Johanson, do Museu de História Natural de Cleveland, correspondem a 40% do seu esqueleto e datam de há 3,18 milhões de anos. Foi este fóssil que indicou, quase sem dúvidas, que o Australopithecus era bípede, associando-o à espécie humana, e que foi esta característica que permitiu o crescimento do cérebro e da caixa craniana.

O nome Lucy foi dado pela antropóloga Pamela Adelman, em homenagem à famosa canção dos Beatles “Lucy in the Sky in Diamonds” (que por sua vez homenageava o LSD).

Apesar de na altura "Lucy" ter sido levada para Cleveland, os fósseis foram devolvidos à Etiópia em 2013. Uma boa parte das exposições de Lucy por todo o mundo actualmente são de cópias feitas em gesso ou fibra de vidro, de forma a não danificar estes preciosos achados das origens humanas.

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SHUTTERSTOCK / RHJPhtotos

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75 anos da fundação da República Popular da China

1949 é o ano que marca o arranque da República Federal da Alemanha e também os ícones culturais que são Willie E. Coyote e Road Runner. Porém, é incontornável a formação da República Popular da China, pondo fim a uma guerra civil com as forças de Chiang-Kai Chek, que se isolaram em Taiwan fundando aquilo que sempre defenderam, como o fazem timidamente os seus sucessores, a verdadeira China.

A 1 de Outubro de 1949, na praça de Tiannamen, Mao Zhedong proclamou a criação de uma nova China, sob sua orientação como secretário-geral do Partido Comunista Chinês.

O novo país fundou-se num largo território que fora palco de invasões estrangeiras e guerras civis durante vários séculos e vivia numa pobreza indescritível. Seguindo o modelo soviético de planos quinquenais, centrados no desenvolvimento da agricultura e da indústria, aplicando reformas agrárias draconianas e políticas industriais de enorme peso ecológico, o modelo chinês foi confrontado com problemas sociais e uma revolução cultural que perseguiu todos aqueles que divergiam ideologicamente do regime com o rótulo de intelectuais. Neste âmbito, foram perseguidas e mortas milhares de pessoas até 1976, quando Zhedong morre.

Hoje, um híbrido de regime político fechado e uma economia relativamente aberta, é um dos países que dominam o cenário geopolítico mundial.