As cidades das 7 colinas – de Roma a Lisboa

Roma pode ter dado origem à designação, mas pelo mundo fora outras cidades também se orgulham de terem sido fundadas em sete colinas.

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“Cidade das sete colinas”. Esta expressão evoca imediatamente algumas urbes que fizeram desta designação quase uma identidade própria. Roma é a mãe de todas elas, a “sete colinas” original. O que é curioso é que a expressão terá origem no “Livro do Apocalipse”, um tomo da Bíblia tradicionalmente associado ao fim dos tempos. Aí, uma personagem chamada “Grande Meretriz” sentar-se-á na cidade das sete colinas, agindo. Também uma moeda cunhada sob o imperador Vespasiano representa Roma como uma mulher sentada em sete colinas. Neste artigo, vamos conhecer algumas destas cidades e o seu septeto de rampas inclinadas. 

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1. EDIMBURGO (ESCÓCIA)

A história: A capital da Escócia é uma cidade de múltiplas colinas – uma boa parte da toponímia urbana e periférica de Edimburgo inclui várias variações da palavra em inglês e até gaélico – e a lista que aqui apresentamos é considerada a mais consensual. Quem já foi a Edimburgo, reparou que é uma cidade bastante acidentada e, portanto, várias outras elevações podiam estar aqui incluídas. A única definitiva é a de Castle Rock, onde a Edimburgo velha se localizava. Com a expansão da cidade a partir do século XIX, o mito das sete colinas cresce e aparece. A mais famosa, no entanto, é a Arthur’s Seat, um vulcão extinto onde uma rocha convida a imaginação a conjurar o famoso monarca de Camelot vigiando o seu reino a Norte. É bastante popular entre caminhantes, pelas vistas e pelo desafio que oferece a sua subida. Ao contrário das outras cidades mencionadas, a maior parte das colinas de Edimburgo não são habitadas no topo. São estas, aliás, as "mais colinas" de todas, literalmente rochedos inclinados que tombam sobre a cidade – guardiãs da mesma e oferecendo uma possibilidade de observá-la a partir de vários ângulos.

As colinas: Arthur’s Seat, Blackford, Braid, Calton, Castle Rock, Corstorphine, Craiglockhart. 

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2. SEATTLE (EUA)

A história: A designação “cidade das sete colinas” não é exactamente correcta, quando nos referimos à cidade-berço do grunge. Há mais do que sete. Porém, ajudou a atrair povoamento a um imenso planalto deixado vazio pela passagem do Glaciar de Vashon. Outro nome usado para atrair viajantes foi o de “Cidade Rainha do Noroeste do Pacífico”. No entanto, a noção de “cidade das sete colinas” é disseminada depois da publicação de “When Seattle was a village” (1947), memória de Sophie Bass, neta de um dos fundadores da cidade. Neste livro, esta descreve que as epónimas colinas eram em simultâneo o orgulho de Seattle e o seu maior problema, pelos constrangimentos que colocavam ao desenho urbano. Como é de calcular, a primeira a ser habitada foi a First – mais tarde apelidada também de "Pill" por ter sido o local onde se instalaram também os primeiros hospitais –,  mas é de notar a ligação a Roma com uma das colinas a chamar-se Capitol. Numa curiosidade, mostrando como as colinas podem separar uma população, a Queen Anne tinha outro nome: Temperance (“Moderação” ou "Sobriedade"), por alegadamente ser a zona para onde todos os abstémios da cidade haviam decidido viver…

As colinas: Existem várias versões, mas a mais consensual é a seguinte: First, Yesler, Cherry, Denny, Capitol, Queen Anne e Beacon. 

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3. KAMPALA (UGANDA)

A história: Como próprio nome dá a entender, a capital do Uganda cresceu a partir da colina de Kampala Velha, onde se localizava o Forte Lugard, símbolo do colonialismo britânico. Esta colina estava já associada ao poder real, pois era uma reserva de caça tradicional do rei de Buganda, o reino Bantu que antecedeu a ocupação britânica. A colina de Mengo era a localização do Palácio Real em Buganda. Quando este reino caiu, as restantes colinas ganharam um significado religioso, sendo a localização dos templos de várias confissões. Kibuli, por exemplo, tornou-se o ponto de culto islâmico, com a construção da mesquita homónima. Namirembe recebeu a catedral católica de São Pedro. Tal como Asunción, Kampala é também muito acidentada, mas as suas colinas têm outra dimensão: o ponto mais alto de Kampala fica a uma altitude de 1.311 metros.

As colinas: Namirembe, Mengo, Kampala Velha, Rubaga, Kibuli, Nsambya e Nakasero. 

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4. ISTAMBUL (TURQUIA)

A história: O imperador Constantino foi o primeiro a associar o número sete à geografia da grande cidade turca (anteriormente Bizâncio e Constantinopla). Quando os otomanos a conquistaram em 1453, pondo fim definitivo à era romana, apressaram-se a construir uma mesquita em cada uma das colinas, como símbolo da mudança religiosa e cultural. O septeto marca também a chamada Península Histórica, que não é mais do que a localização da cidade no interior das muralhas, o seu centro. Sarayburnu é o ponto de origem de Istambul – aqui se localizam marcantes edifícios como, por exemplo, a Hagis Sophia ou o Palácio de Topkapi. Falamos dos principais símbolos dos poderes religioso e político em toda a Turquia ainda hoje. Além disso, sendo respectivamente de origem romana e otomana, os edifícios juntam o passado histórico desta grande urbe. Outras colinas são algo temáticas: na de Cemberlitaç, encontramos a maioria dos restos romanos ainda presentes na arquitectura da cidade; em Fatih, os símbolos do poder militar e as antigas muralhas; e da de Yavuz Selim temos a vista mais espectacular do Corno Dourado, o ponto onde dois continentes de unem numa cidade que abarca em si todas as culturas mediterrâneas que influenciaram Ocidente e Oriente.

As colinas: Sarayburnu, Çemberlitas, Beyazit, Fatih, Yavuz Selim, Edirnekapi e Mustafapasa. 

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5. ASUNCIÓN (PARAGUAI)

A história: Fundada em 1537 por exploradores espanhóis, a cidade de Asunción – a chamada “Mãe de Cidades”, por ter sido daqui que partiram várias expedições fundacionais de mais de 70 cidades no território do que hoje são o Paraguai, a Argentina e o Brasil – começou na colina de Cabará, onde se construiu a primeira Casa Forte do governo colonial. Depois, uma a uma, cada uma das restantes colinas foi recebendo um nome e uma função. A de San Jerónimo albergava os principais edifícios defensivos da cidade, por exemplo. Atravessada pelo rio Paraguai, Asunción tem um relevo irregular marcado por pequenas colinas aparte as sete mencionadas.

As colinas: Cabará, Volo Cué, San Jerónimo, Cachingá, Clavel, Mangrullo e Cerrito Sansón Cué. Há uma oitava não oficial chamada Loma Tarumá.

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6. ROMA (ITÁLIA)

A história: Reza a lenda que Rómulo fundou Roma na colina de Palatino a 21 de Abril de 753. a.C. Se Rómulo queria edificá-la nesta colina, o seu irmão Remo desejava nomeá-la Remora e fundá-la sobre o monte Aventino. Na verdade, originmalmente, havia aldeias em cada uma das sete colinas, separadas. Porém, com o tempo, foram-se unindo para formar a cidade de Roma. Historicamente falando, os Etruscos ocuparam originalmente estas colinas, até criarem a Roma unificada. Foi a monarquia etrusca que ocupou esta zona até ser desmantelada por aqueles que conhecemos como Romanos, no curto período de República que antecipa o Império pelo qual os romanos são mais conhecidos. A expansão de Roma incluiu novas colinas, a mais famosa destas a do Vaticano. Hoje em dia, cinco destas colinas fazem ainda parte da malha urbana habitada da capital italiana, sendo que apenas o Palatino e o Capitólio se mantêm como locais arqueológicos e de visita turística. Palatino, aliás, deverá o seu nome ao facto de ter sido sempre o local onde os romanos mais abastados moravam, construindo os seus palácios. Ainda assim, qualquer pessoa que se aventure nas restantes colinas encontrará bastantes pontos de interesse. 

As colinas: Aventino, Palatino, Capitólio, Esquilino, Célio, Quirinal e Viminal.

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7. LISBOA (PORTUGAL)

A história: Lisboa, "Menina e Moça" (como lhe chamou Bernardim Ribeiro), também ficou conhecida como a cidade das sete colinas. A primeira referência às sete colinas da capital portuguesa é encontrada na obra Livro das Grandezas de Lisboa, de Frei Nicolau de Oliveira, tentando estabelecer uma relação com o centro do Império Romano, num movimento que atravessará a História Portuguesa de tentar encontrar em Lisboa o centro de um Quinto Império que suceda ao romano. Já no século anterior, Damião de Góis estabelecera cinco, algumas delas não aparecendo na lista final que hoje conhecemos. Senhora do Monte (chamada na altura de “Nossa Senhora do Monte Sinai”, numa referência esotérica extra) é um exemplo, e até um nivelamento de terra causado por um terramoto em 1597, seria impossível encontrar, alinhado, o septeto de elevações que Nicolau de Oliveira refere na sua obra.

A colina de São Jorge terá sido a origem de Lisboa, a mais alta da sete mencionadas: desde os Romanos aos Cristãos, a ocupação desta colina foi permanente. A ocupação das restantes colinas, principalmente a de Santo André, terá acontecido por dois motivos: o alargamento da malha urbana de Lisboa e os sucessivos terramotos que afectaram a cidade durante séculos, levando a que a população escolhesse os topos de maneira a evitar os problemas maiores relacionados com estes desastres naturais. Hoje, pode encontrar em algumas destas colinas ex libris como o Castelo de São Jorge, o Mosteiro de São Vicente de Fora – panteão da quase totalidade da nossa quarta dinastia – ou o Miradouro de São Pedro de Alcântara, entre outros.  

As colinas: São Jorge ou Castelo, São Vicente, Sant'ana, Santo André, Chagas, Santa Catarina e São Roque. 

Outras cidades ditas de sete colinas, e sobre as quais pode querer saber mais? São Francisco, Teerão, Brisbane, Praga, Cáceres ou Cagliari.