Portugal "sobe-e-desce": 9 ascensores históricos (e imperdíveis)

Um destes meios de transporte público foi o primeiro da Península Ibérica e é hoje no mundo o único alimentado por um sistema de contrapeso de água. Outros começaram a sua marcha a vapor, tendo sido posteriormente electrificados. A maioria foi projectada pelo mesmo homem: Raoul Mesnier du Ponsard.

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Elevador, funicular ou ascensor? Os três termos são, por vezes, usados como sinónimos em artigos sobre turismo nos portais das câmaras municipais, mas também há quem os distinga. Por exemplo, a Covilhã tem hoje vários "elevadores" e "funiculares", activados nos últimos anos no âmbito do Plano de Mobilidade Pedonal do município. O funicular de São João e o elevador do Parque da Goldra, na cidade beirã, certamente merecem uma viagem, mas hoje centramo-nos em elevadores / funiculares / ascensores históricos, a maioria centenários.

1. Elevador Funicular do Bom Jesus (Braga)

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1. Elevador do Bom Jesus (Braga)

Este funicular, da autoria de Rauol Mesnier du Ponsard (ver caixa final), foi inaugurado em 1882, tornando-se o primeiro funicular da Península Ibérica. É hoje o mais antigo funicular a recorrer ao sistema de contrapeso de água que se mantém em funcionamento. É gerido pela Confraria do Bom Jesus do Monte e liga o santuário homónimo à parte alta da cidade, vencendo um desnível de cerca de 100 metros.

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2. Elevador da Bica (Lisboa)

Mais um projecto de Raoul Mesnier de Ponsard, inaugurado dez anos depois do de Braga (em 1892), o Elevador da Bica é igualmente um funicular, tendo também sido projectado originalmente com um sistema de contrapeso de água. Mais tarde transitou para a electrificação. Liga a Rua de São Paulo  ao Largo do Calhariz, vencendo ao longo dos seus 285 metros de percurso uma das mais acentuadas pendentes de Lisboa. Este elevador tem como particularidade ser o único dos funiculares portugueses cujo percurso contém um segmento em que o trânsito não é exclusivo, sendo cerca de 70 metros deste abertos ao trânsito dos moradores, seja a pé, seja automóvel. No cinema, podemos ver a Rua da Bica de Duarte Belo e o elevador que a atravessa numa cena de um filme de François Truffaut (La Peau Douce) e como personagens omnipresentes em A Janela, Maryalva Mix, de Edgar Pêra. 

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3. Elevador da Nazaré (Nazaré)

Outro projecto de Raoul de Mesnier, este funicular (ora chamado localmente "ascensor", ora "elevador") que liga o Sítio da Nazaré à praia homónima foi inaugurado em 1889, sendo inicialmente movido a vapor. Em 1963, sofreu o único acidente da sua história, com duas vítimas, tendo estado fechado para reparações entre esse ano e 1968, altura em que foi electrificado. O seu percurso é o segundo maior dos funiculares portugueses. Foi recentemente anunciada a construção de um novo funicular na Nazaré, desta feita unindo o centro da vila ao Bairro da Pederneira. Uma curiosidade: Pode levar o seu animal de companhia consigo. Os Serviços Municipalizados da Nazaré disponibilizam caixas de transporte para o efeito. 

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4. Elevador de Santa Justa (Lisboa)

Este elevador de tracção, também conhecido como Elevador do Carmo, data de 1902, sendo um projecto também assinado por  Ponsard. É composto por uma torre e um passadiço, decorados em estilo neogótico, ambos em metal, e liga a Rua do Ouro ao Largo do Carmo. As suas cabines são em madeira, decorada com latão. Foi, juntamente com outros ascensores lisboetas, classificado como Monumento Nacional em 2002, o ano do seu centenário.

Funicular de Santa Luzia, Viana do Castelo

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5. Elevador de Santa Luzia (Viana do Castelo)

Este funicular, o de maior extensão do país e com o maior desnível (cerca de 160 metros), liga estação ferroviária de Viana do Castelo ao Monte de Santa Luzia e ao santuário ali presente. É eléctrico, com um sistema de tracção que compensa as diferenças de peso de ambos os carros. Embora tenha sido originalmente inaugurado em 1923, e celebrado o seu centenário em Julho deste ano, esteve desactivado entre 2001 e 2007. Hoje, é a Câmara Municipal que  assume o controle do mesmo.

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6. Funicular dos Guindais (Porto)

O projecto original deste funicular portuense que liga a Praça da Batalha à Ribeira é, mais uma vez, de Rauol Mesnier du Ponsard. Inaugurado em 1891, esteve em funcionamento apenas dois anos, tendo sido interrompido o serviço devido a um acidente grave em 1893. Embora Mesnier tenha tentado reformular o projecto, este seria abandonado e apenas recuperado em 2004, com a construção de um novo funicular no mesmo percurso que apenas aproveita a antiga casa das máquinas, no topo do percurso. Este foi acompanhado da construção do Elevador da Ribeira, um elevador horizontal de tracção que liga a Ribeira à meia-encosta do Barredo e que tem funcionado de forma intermitente desde que foi inaugurado em 2008.

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7. Elevador da Glória (Lisboa)

Outro dos funiculares lisboetas – igualmente projecto de Raoul Menser de Ponsard e datando de 1885 – é em tudo semelhante ao Ascensor do Lavra, embora percorra uma maior distância no seu percurso entre a Baixa de Lisboa e o Bairro Alto (cerca de 265 metros). Também é, longe, o ascensor com maior afluência de público dos geridos pela Carris, podendo chegar aos três milhões de passageiros anuais. No que toca à forma de locomoção e o desenho da carruagem com uma ponta mais elevada do que a outra, assemelha-se ao Elevador da Lavra. Ficou imortalizado na cultura pop numa canção dos Rádio Macau. 

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8. Elevador do Mercado (Coimbra)

O mais recente dos elevadores desta lista, o elevador de tracção público da cidade de Coimbra une o Mercado Municipal Dom Pedro V, no fim da Avenida Sá da Bandeira, ao topo da Rua Padre António Vieira, muito perto da Sé Nova, servindo assim de elo entre a Baixa e a Alta conimbricenses. Tem como particularidade deslocar-se verticalmente apenas durante os primeiros 20 metros da viagem, sendo os restantes uma deslocação em declive até ao topo da colina.

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9. Ascensor do Lavra (Lisboa)

O mais antigo dos funiculares lisboetas é igualmente um projecto de Raoul Mesnier de Ponsard, datado de 1884. Liga a Rua Câmara Pestana ao Largo da Anunciada, num curto circuito de apenas 188 metros. Inicialmente movido a água, à semelhança dos elevadores do Bom Jesus e da Bica, foi ao longo dos tempos sendo modificado, primeiro passando a funcionar a vapor. Mais tarde, em 1915, foi electrificado. Tem a particularidade de que todos os bancos internamente se encontram no mesmo nível horizontal, sendo uma das pontas da carruagem mais elevada do que a outra para atingir este efeito.

Quem foi, afinal, Raoul Mesnier du Ponsard?

Parece justo incluir também aqui uma nota biográfica sobre este engenheiro português de origem francesa, que é de longe a figura mais relevante na história dos elevadores públicos portugueses.

Nascido no Porto em 2 de Abril de 1849, Mesnier cresceu na "Cidade Invicta", tendo estudado na Universidade de Coimbra simultaneamente Matemática e Filosofia. O desejo de enveredar pela Engenharia Mecânica e um contexto familiar favorável levaram-no a estudar em universidades estrangeiras, destacando-se o período em que trabalhou nas oficinas de elevadores de montanha do suíço Nikolaus Riggenbach

Começando pelo projecto do Elevador do Bom Jesus, na Braga onde tinha vivido a sua família, Mesnier nunca mais pararia de fazer elevadores. Projectou, além dos mencionados neste artigo, vários elevadores e funiculares hoje desactivados e, como inventor imparável, criou o Arithmotechno, uma espécie de calculadora. Viria a morrer em 1914, em Moçambique.