5 acontecimentos a ter em conta em 2024 – da política à ciência

O novo ano está aí e, com ele, uma série de acontecimentos nas áreas da arte, desporto, ciência e política. A National Geographic Portugal destaca cinco que vão marcar o ano.

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Chega um novo ano, chega um novo cardápio de acontecimentos para nos fazer olhar para o futuro com curiosidade e até, nalguns casos, uma antecipação comichosa. Da cultura ao desporto, passando pela política e por novas adições ao trivia de geografia, 2024 será uma caixa de 365 dias para desembrulhar, novidade atrás de novidade. Começamos pela Lua. 

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1. Picasso integral, entre outros legados, passa a domínio público

Quando: Ao longo do ano

2024 é também o ano em que algumas obras de arte entram no domínio público, podendo assim ser mais facilmente acessíveis a leitores e espectadores. A sua distribuição passa a ser mais alargada e nalguns casos, a sua exibição e reprodução deixa de estar sujeita às leis de direitos autor. Isto acontece porque passou um determinado período depois da sua publicação. Esse período temporal muda de país para país, mas é normalmente superior a setenta anos.

Entre as mais significativas que serão libertadas em 2024, teremos os desenhos do Noddy, da autoria de Harmsen van der Beek; a obra integral de Pablo Picasso (na fotografia, Les Demoiselles d'Avignon, numa exposição em Málaga); as peças dos dramaturgos de Eugene O’Neill e Noel Coward; a obra dos músicos Sergei Prokofiev, Hank Williams e Django Reinhardt; os filmes de John Ford e Bruce Lee; com restrições, a obra de Tolkien; e uma das mais marcantes personagens da cultura popular, o Rato Mickey.

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2. Há eleições na maior democracia do mundo

Quando: Entre Abril e Maio

A chamada maior democracia do mundo vai a votos, em eleições legislativas para os 453 lugares da Lok Sabha, a câmara baixa do parlamento indiano. Com a ocupação recente do primeiro lugar nos países mais populosos do planeta, a Índia assume uma importância vital na geo-estratégia mundial e estas eleições são obrigatórias de seguir.

O partido Bharatiya Janata, do actual primeiro-ministro Narendra Modi, tem caracterizado a sua passagem pelo poder – desde 2014 – por um pendor ultra-nacionalista, com políticas que pretendem vincar a cultura e religião hindus num dos países mais multiculturais do mundo. Resultado: tensões permanentes entre muçulmanos e hindus. Também e questões relacionadas com castas, grupos étnicos dominantes e políticas sociais e sexuais têm minado a relação entre parte da população e o seu governo.

O principal adversário de Modi, Mallikarjun Kharge, lidera o tradicional Congresso Nacional Indiano e também uma coligação,  tem vindo a denunciar o autoritarismo de Modi, usando-o como argumento para influenciar a escolha do eleitorado. De uma forma ou de outra, será um dos grandes eventos políticos do próximo ano, que incluirá eleições importantes noutros países como Portugal, EUA, Paquistão, Reino Unido, África do Sul, Ucrânia e Rússia.

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IMAGEM EM DOMÍNIO PÚBLICO

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3. “O momento impressionista” é (re)exposto no Museu d’Orsay

Quando: Setembro

Comemorando 150 anos da primeira exposição impressionista, o museu por excelência deste movimento artístico tem programada a partir de Setembro de 2024 e até Janeiro de 2025 uma grande retrospectiva. Este evento junta-se a outros que o museu organizará ao longo do ano para celebrar esta importante inovação no mundo das artes.

Foi em 1874 que 30 artistas organizaram uma mostra de 165 trabalhos num estúdio no Boulevard des Capucines. Nesse grupo incluíam-se nomes como Claude Monet, Edgar Degas, Camille Pissarro ou Pierre-Auguste Renoir e, entre as obras, incluía-se “Nascer do Sol”, de Monet (na imagem), um dos quadros impressionistas mais famosos. A exposição foi um falhanço crítico e, embora mais de 3500 pessoas tenham visitado, a maior parte foi apenas para mostrar desprezo. Alguns comentários são reveladores: um crítico comparou o famoso quadro de Monet a papel de parede, de forma depreciativa, e algumas outras obras foram descritas como tendo sido pintadas com uma pistola.

Esta celebração de Orsay vinga estes grandes nomes da Pintura e exibe a maior parte das obras que estiveram presentes naquela exposição seminal. Junta-se a outras exposições comemorativas que acontecerão um pouco por todo o mundo, colocando o Impressionismo novamente na agenda mediática das artes visuais.

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4. Nos Jogos Olímpicos de Paris, vai haver "breakdance"

Quando: De 26 de Julho e 11 de Agosto

100 anos depois da última vez que as Olímpiadas visitaram a Cidade Luz – onde se destacaram o fundista Paavo Nurmi, o nadador e futuro Tarzan Johnny Weissmuller, a selecção uruguaia de futebol e um conjunto de atletas britânicos que ficaram famosos no filme “Momentos de Glória” –, a 33ª Olimpíada acontece. Com a curiosidade de ver provas a acontecer num continente diferente da cidade-sede, visto que o Taiti, departamento ultramarino francês, receberá as provas de surf, a capital de França bateu outras cidades Hamburgo, Budapeste, Roma e Los Angeles para receber esta honra. A urbe norte-americana, no entanto, não ficará a lamentar demasiado, visto que tem garantida as Olimpíadas de 2028.

Como novidades, teremos a paridade de atletas masculinos e femininos e também a estreia do breakdancing como modalidade de exibição olímpica. Preparem-se para ver muitas imagens do Phryge, a mascote desta edição, e longas conversas sobre a participação de atletas russos e bielorrussos nos Jogos. A competição é desportiva, mas tal não significa que o campo de jogo não seja também político.

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5. Na Indonésia, uma nova capital surge

Quando: 17 de agosto

Em 2024, esta nova cidade será a nova capital da Indonésia. Jacarta é demasiado 1945 (ano da independência) para os gostos estéticos e as necessidades de segurança do século XXI. Nusantara substituirá, então, em Agosto, o tradicional centro político e económico indonésio. Não se prevê que esta situação mude o estatuto de Jacarta – basta ver outros países como o Brasil ou a Austrália, com capitais construídas de raiz que não se tornaram nas urbes mais importantes das suas respectivas nações. Porém, este faraónico projecto de 35 trilhões de dólares, impulsionado pelo presidente Joko Widodo, com a intenção de diminuir o fosso económico entre a ilha de Java, onde se localiza Jacarta, e o resto do país, promete dar que falar neste ano.

O projecto teve em conta vários factores, como a segurança (especialmente geológica, num território constantemente fustigado por terramotos, erupções vulcânicas e tufões) e o acesso a um porto de mar. Com tudo isto, foi escolhida a ilha do Bornéu. Para além disso, devido ao desenvolvimento urbanístico e localização, a cidade de Jacarta está lentamente a afundar. Logo, a mudança de toda a estrutura pública para uma nova capital é também uma medida de precaução.

A cidade, desenhada para ser ecologicamente sustentável e de acordos com os padrões mais modernos de eficiência energética, deve o seu nome a um termo javanês que significa “As ilhas exteriores”, referenciando a intenção descentralizadora do governo Widodo. O termo aparece em vários textos históricos de antigos reinos que ocuparam a área territorial indonésia e baptizava a zona onde a cidade foi construída antes de esta adquirir o nome actual, Kuntai.