Algumas imagens assombram-nos mesmo antes de termos a oportunidade de as captar. Para Katie Orlinsky, esta fotografia, tirada no Verão de 2022, é a concretização de um sonho de oito anos, que nasceu na sua primeira viagem ao Extremo Norte. “As renas fazem a mais longa migração terrestre do planeta, por vezes percorrendo milhares de quilómetros”, explica. “Os anciãos da comunidade Nunamiut em Anaktuvuk Pass, no Alasca, disseram-me que em tempos eram tantos como os insectos. Foi incrível ver finalmente o que eles queriam dizer!”.

Tirar esta fotografia de sonho foi um verdadeiro tour de force, depois de dois anos de tentativas frustradas por avarias nos aviões e animais impossíveis de avistar no imenso e acidentado terreno do Noroeste do Árctico. “Decidi fazer uma última tentativa e aluguei um avião pequeno, onde mal cabia o meu equipamento. E lá estavam eles", diz Katie Orlinsky. “Foi uma das minhas missões mais difíceis, em termos logísticos, físicos e mentais. O avião deixou-me perto das renas e segui-as a pé durante dias, sem que me vissem ou sentissem.” A fotógrafa tinha-se equipado contra os ursos, com uma barreira protectora, spray repelente e uma pistola de sinalização. Os ursos não se mostraram, mas apareceu um lobo curioso que se aproximou a menos de dez metros dela.

Mas este sucesso tem um sabor amargo, dado o declínio das renas. “É uma perda enorme, mas também uma ameaça para o ecossistema do Árctico, bem como para as comunidades indígenas do Alasca e do Canadá, cuja segurança alimentar e a cultura estão ligadas a estes animais.”