Os fotógrafos da National Geographic falam com frequência da adrenalina de esperar pelo momento certo para disparar e de como um instante de distracção pode conduzir à perda da imagem perfeita, mas poucas forças são mais inegociáveis do que o mar quando se trata de acelerar o trabalho de campo.

Em finais de Outubro, os editores da revista consideravam que faltava ainda uma fotografia dos trilhos de dinossauro para completar o artigo que dedicamos às campanhas paleontológicas do Oeste. Acompanhado por uma dezena de paleontólogos da Sociedade de História Natural, o colaborador da National Geographic Filipe Patrocínio tentou a sorte à noite.

Estudando as marés – pois as pegadas só são visíveis em baixa-mar – e e tentando conjugá-las com uma noite sem temporal, imaginou uma fotografia onde o céu estrelado pudesse enquadrar este vestígio jurássico. Nem tudo, porém, correu como o planeado: o céu enevoado não revelava qualquer estrela no firmamento. Em compensação, produzia um raro manto magenta uniforme. “Tivemos literalmente uma hora para trabalhar, pois, com o mar, não se negoceia”, conta o fotógrafo. As pegadas estavam cobertas de areia da maré anterior e, esvaziando-as, foi necessário repor outra vez água para lhes dar brilho. O fotógrafo planeara usar um forte aparato de iluminação, mas a Lua forneceu quase toda a luz necessária. “Bastou aplicar uma luz rasante e colocar um paleontólogo na imagem para dar escala à fotografia.” Na imagem, vemos Jarmo van Dijk, que defendeu a sua dissertação de mestrado sobre este trilho. 

Artigo publicado originalmente na edição de Dezembro de 2023 da revista National Geographic.