Introdução: Dos astros aos homens

A palavra «revolução» foi utilizada desde a Idade Média para designar o movimento cíclico dos corpos celestes em volta da Terra; mais tarde, já no século XVI, com Copérnico e com a publicação De revolutionibus orbium coelestium (Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes), passou a designar o movimento da Terra à volta do Sol. Nessa altura, o termo «revolução» tinha passado ao vocabulário político com o seu sentido astronómico – o do regresso de um planeta ao ponto de partida –, incorporando a visão cíclica da história que o Renascimento herdara do mundo clássico.

Para gregos e romanos, com efeito, o número de regimes políticos limitava-se a três, que apresentavam por sua vez duas vertentes consoante fossem exercidos justa ou injustamente: a monarquia e a tirania, a aristocracia e a oligarquia, a democracia e a anarquia (ou oclocracia, o governo da multidão). Acreditavam por isso que qualquer mudança levaria à transição de um destes regimes para outro. Não é por isso de estranhar que a palavra «revolução» tenha começado a ser usada com este significado nas cidades – por exemplo em Itália, onde ocorreram inúmeras insurreições populares que por vezes terminavam com o derrube dos governos comunais. Assim, os levantamentos de 1494, 1512 e 1527 a favor e contra os Médici, em Florença, foram descritos por alguns dos contemporâneos como «revoluções».

No fim do século XVI, começou a generalizar-se o uso político da palavra «revolução» e, em meados do século XVII, durante a luta entre o Parlamento e a Coroa inglesa, a «revolução» já não designava o regresso ao ponto de origem político, mas sim o movimento irreversível para além dele, impulsionado por mudanças sociais. Desta forma, num Catecismo Revolucionário publicado em Paris, em 1794, os franceses podiam ler: «O que é uma revolução?». «É a insurreição do povo contra os seus tiranos. É uma mudança violenta de um estado de escravidão para um estado de liberdade.»

Resumo:

  • A longa história da revolução: A luta pela participação política contra a submissão económica e a proclamação de direitos fundamentais alimentou a revolução.
  • O nascimento da democracia: Clístenes libertou Atenas da tirania e impulsionou a reforma política radical que transformou a sua cidade no berço da democracia.
  • Patrícios e plebeus: Cansados de lutar pela república romana sem gozar de nenhum direito político, os plebeus ergueram-se contra a aristocracia patrícia.
  • Camponeses rebeldes: No fim da Idade Média, os abusos dos senhores feudais provocaram violentas revoltas camponesas em vários países da Europa.
  • Cola di Rienzo, o último tribuno: No século XIV, Cola di Rienzo tomou o poder em Roma e proclamou-se tribuno, encabeçando um regime que o papado e o império atacaram.
  • Lutero, a chama da Reforma: No seu empenho em reformar o cristianismo, Lutero desafiou o papado e o império, mas não hesitou em reprimir os seus seguidores mais radicais.
  • Inglaterra contra o seu rei: Entre 1641 e 1649, a luta entre o Parlamento e o monarca conduziu à guerra civil e ao nascimento de uma república liderada por Oliver Cromwell.
  • George Washington: Comandou a luta pela emancipação das colónias britânicas da América do Norte e foi eleito o primeiro presidente do novo país.
  • O julgamento de Luís XVI: Em 21 de Janeiro de 1793, a guilhotina interrompeu a vida do rei de França, no fim de um julgamento em que foi acusado de traição à pátria.
  • As Cortes de Cádis: Com a Península Ibérica ocupada pelos franceses, celebraram-se em Cádis as Cortes que mudariam o rumo da história de Espanha.
  • Ventos de liberdade, 1848: Em Fevereiro de 1848, deflagrou em Paris uma revolução que trouxe à tona esperanças de liberdade numa Europa submetida ao absolutismo.
  • Garibaldi, a aventura da liberdade: Principal artífice da unificação italiana, os seus ideais e a sua vida aventureira transformaram-no num mito da revolução.
  • A Comuna de Paris: A revolta em nome de uma democracia social que os cidadãos de Paris iniciaram em 1871 transformou-se num símbolo da revolução universal.