Frida Kahlo nunca pintou os seus sonhos. A sua pintura não expressa um desejo nem invoca uma ânsia: Frida Kahlo pintava a sua realidade. Os seus auto-retratos, que parecem envoltos numa atmosfera onírica, são na verdade expressões tão francas e vivas da sua existência que poderiam confundir-se com a fantasia mais genuína. Não é isso, contudo, que se verifica. Frida Kahlo utilizava os pincéis de marta-zibelina para exorcizar a tristeza e a dor, para fugir da melancolia e das frustrações. Se havia aspecto que a pintora amava era a parte mais doce da vida, a alegria e a felicidade.

Quando tinha tudo contra si para ser feliz, quando a dor a amarrava a uma cama de hospital, quando a morfina a impedia de pensar com clareza e o álcool era o seu único refúgio, Frida continuava a lutar para gozar a vida, para ter os amigos e a família por perto, para fazê-los felizes, talvez mais do que ela alguma vez seria. Muito poucas pessoas a recordam triste, muito menos deprimida. E aqueles que a viram assim rapidamente esqueceram essa imagem, porque a Frida festiva e de inteligência brilhante eclipsava-a. Essa Frida que, com a sua personalidade, iluminou sempre a vida dos outros.

Índice:

  • 1. Prólogo
  • 2. Asas para voar
  • 3. Uma borboleta nas mãos de um gigante
  • 4. Uma mexicana na Gringolândia
  • 5. Uma pintora com nome próprio
  • 6. Viva la vida
  • 7. Cronologia