Numa sociedade tão ligada à tecnologia como a que vivemos, encontramo-nos completamente imersos numa encruzilhada entre o digital e o físico, em que as fronteiras entre a realidade e as experiências virtuais são, por vezes, muito mais ténues do que parecem. Neste contexto, há dois conceitos que foram coroados como identificadores deste panorama: a Realidade Aumentada (RA) e a Realidade Virtual (RV).

Estas são duas tecnologias que prometem transformar a forma como percepcionamos e interagimos com o mundo que nos rodeia. No entanto, estes termos podem muitas vezes ser confundidos, com a linha entre os dois a ser ténue. Quais são as verdadeiras características que diferenciam a RA da RV?

O QUE É A REALIDADE AUMENTADA?

O termo RA refere-se a uma tecnologia que utiliza o mundo à sua volta como base e, através de "adicções" digitais, modifica-o adicionando determinados elementos artificiais, criando uma espécie de ambiente misto. É como se, de alguma forma, o mundo virtual se completasse com o mundo real que todos temos à nossa volta. São tecnologias que, a todo o momento, permitem continuar a ver tudo o que temos à nossa frente, mas com informação virtual sobreposta. Daí o nome aumentado.

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ISTOCK

As aplicações que permitem ver o design dos móveis com base numa imagem de uma sala vazia fazem parte da realidade aumentada.

Um exemplo desses mecanismos virtuais são as aplicações de arquitectura, que permitem ver como ficariam determinadas estruturas ou mobiliário num espaço real ou numa sala vazia. Também incluem aplicações de estrelas que lhe dizem que constelação ou planeta é, bastando para isso focar o céu com o seu telemóvel. De facto, um exemplo de realidade virtual que tomou o mundo de assalto foi o jogo Pokemon Go, que permitia "caçar pokemon" que a aplicação adicionava virtualmente ao seu próprio ambiente.

O QUE É A REALIDADE VIRTUAL?

O conceito de realidade virtual inclui todas as tecnologias que ocultam directamente o ambiente real, mostrando-lhe apenas um ambiente totalmente criado digitalmente. Com este tipo de realidade, não é possível ver o que está à nossa frente, ao lado ou atrás de nós, mas, no máximo, podemos ver recriações virtuais do ambiente ou avatares que recriam imagens virtuais da pessoa com quem estamos a falar.

É muito utilizada em videojogos que utilizam óculos totalmente imersivos. É também uma tecnologia que recentemente tem vindo a ganhar destaque na formação de médicos, bombeiros e pilotos, pois permite-lhes ensaiar como agir em várias situações num ambiente criado directamente para simular momentos de emergência.

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Os videojogos que isolam completamente o utilizador do ambiente que o rodeia com óculos imersivos e som surround fazem parte da realidade virtual.

 

DIFERENÇAS ENTRE REALIDADE VIRTUAL E REALIDADE AUMENTADA

Ambas reflectem tecnologias que se baseiam em processos computacionais semelhantes e têm o mesmo objectivo subjacente: servir o utilizador com uma experiência melhorada ou enriquecida. Ambas permitem experiências únicas, esperadas e divertidas, em que o utilizador pode controlar a sua própria realidade, alcançando camadas profundas de interacção digital. No entanto, existem muitas outras propriedades que as diferenciam, tornando-as, ao mesmo tempo, realidades com um historial completamente diferente.

Por exemplo, a realidade aumentada procura melhorar as experiências reais através da adicção de componentes virtuais que expandem a informação existente, enquanto a realidade virtual se baseia na criação do seu próprio mundo, que é completamente gerado artificialmente por um computador. Além disso, os modos de acesso a cada uma delas são muito diferentes: enquanto a realidade virtual tem dispositivos de grandes dimensões que isolam o utilizador da realidade, a realidade aumentada tem dispositivos mais pequenos e leves, como telemóveis ou tablets, com os quais é fácil interagir.

No entanto, não há uma competição ou corrida para ver qual é a melhor: cada uma funciona de forma diferente da outra, pelo que muitas vezes simplesmente se combinam, proporcionando ao utilizador e ao público uma experiência muito mais única e envolvente. Estas são conhecidas como realidades mistas e podem ser vistas, por exemplo, nas versões mais recentes dos hologramas. O HoloLens é um desses softwares que incorpora estas combinações, apresentando ao utilizador um visualizador que sobrepõe hologramas digitais ao ambiente real. Desta forma, o público pode ver e manipular hologramas de objectos no seu próprio ambiente de trabalho, andar à sua volta e observá-los de diferentes ângulos, mantendo sempre a consciência do ambiente real.