Toda a gente sabe que beber um copo ocasionalmente não é  prejudicial, mas consumir álcool em excesso pode ser altamente nocivo para a saúde. Aliás, sabia que o consumo excessivo de álcool provocou quase 140.000 mortes e significou uma média de 3,6 milhões de anos de vida potencialmente perdidos entre 2015 e 2019 nos EUA

Mas o que é exactamente um copo? O termo refere-se, geralmente, a 10 gramas de álcool puro que é, aproximadamente, o que pode encontrar num fino ou imperial (20 cl). Como é natural, esta quantidade costuma ser inofensiva para a grande maioria das pessoas (excepto para aquelas que seja contra-indicado por motivos pessoais, clínicos ou profissionais). O problema aumenta quando os consumidores ultrapassam os seus próprios limites, pondo em risco o seu corpo e a sua própria vida.

o Álcool e o CéREBRO

Umas das partes do organismo mais afectadas pelo consumo abusivo de álcool é o cérebro. O álcool interfere na forma como o cérebro comunica com o resto do corpo, anulando o fluxo de informação e afectando a forma como o cérebro percepciona a realidade e reage. Com efeito, se um indivíduo beber demasiado de uma só vez, o cérebro pode perder completamente a relação com o resto do corpo, desencadeado falências orgânicas que podem dar origem a sobredosagem de álcool – um estado coloquialmente conhecido como “coma alcoólico”.

A longo prazo, o consumo de álcool pode até alterar a estrutura do cérebro, a forma como este reage e a gestão do seu funcionamento interno. Isto pode significar a transição de um consumo controlado e ocasional para um consumo crónico, no qual a pessoa se torna incapaz de controlar a vontade de beber, entrando num ciclo de adicção.

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Imagens do cérebro obtidas num exame de ressonância magnética.

GOLPE NO FÍGADO

Como se sabe, o fígado é o órgão encarregado de limpar o sangue – após o consumo de álcool tem a tarefa de metabolizar quase 90 por cento da substância. Como é óbvio, a eficiência do fígado é alta, razão pela qual, quando os consumos são moderados ou até numa noite um pouco mais excessiva (sempre e quando o álcool não for misturado com outros fármacos que também necessitem da acção do fígado), este órgão não deverá ter problemas em metabolizar a sua ingestão.

Porém, se o consumo abusivo for repetido, o fígado pode começar a ter problemas em digerir sucessivamente grandes quantidades de álcool, sendo por isso comum acabar por deteriorar-se e manifestar alguns problemas ou inflamações hepáticas, nomeadamente esteatose – uma condição também conhecida como fígado gordo –, doença hepática alcoólica, fibrose ou cirrose.

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HENRY GRAY (1918), ANATOMY OF THE HUMAN BODY

Ilustração do fígado.

UMA RELAÇÃO TÓXICA COM O PÂNCREAS

Ao contrário de outros órgãos, que podem ter maior tolerância, o álcool é uma substância particularmente tóxica para o pâncreas. Quando o álcool chega ao órgão através dos vasos sanguíneos, a reacção do pâncreas é gerar uma série de substâncias nocivas a título de “protecção” que, a longo prazo, podem conduzir ao desenvolvimento de pancreatite aguda – uma inflamação e edema muito perigoso dos vasos sanguíneos que impede uma digestão adequada. Embora esta condição possa ser pontual, pode tornar-se recorrente se não for tratada, causando pancreatite crónica – uma doença muito mais grave.

ADEUS, DEFESAS!

Por fim, o sistema imunitário também pode ser afectado pelo consumo abusivo de álcool – mais especificamente, fica debilitado e diminui a produção efectiva de glóbulos brancos e células imunes. Isto pode ser muito perigoso, pois faz com que o organismo não tenha defesas que o protejam da entrada de qualquer tipo de vírus ou bactéria, tornando a ocorrência de doenças cada vez mais comum.

Embora os consumidores crónicos de álcool sejam muito mais propensos a contrair doenças como pneumonia e tuberculose, os efeitos nocivos do álcool no sistema imunitário não estão limitados a este grupo. Os estudos mais recentes indicam que beber demasiado numa só ocasião pode diminuir a capacidade do organismo para evitar infecções até 24 horas depois de uma pessoa se embriagar.