Janeiro inaugura um novo ano e, naturalmente, uma nova rotação no calendário de eventos astronómicos, incluindo as luas cheias. Esta interessante fase do ciclo lunar, em que a face visível do nosso satélite reflecte a quantidade máxima de luz solar, ocorre sempre que a Terra está posicionada exactamente entre o Sol e a Lua.

Como o ciclo é ligeiramente mais curto do que os meses, alguns anos têm 12 luas cheias, enquanto outros têm 13, como foi o caso em 2023. No entanto, em 2024 este evento só ocorrerá uma vez por mês, começando com a lua cheia de Janeiro, conhecida como a "lua do lobo", que ocorrerá na noite de 25 de Janeiro.

UMA BREVE HISTÓRIA DA LUA DO LOBO

Se alguma vez se perguntou porque cada lua cheia do ano tem um nome especial, a resposta está na publicação americana Farmer's Almanac, que há muito se dedica a popularizar os termos utilizados pelos povos nativos americanos.
Desde a Antiguidade que a Lua cativa diferentes culturas, que lhe atribuem poderes místicos e significados religiosos associados às suas próprias crenças e práticas, mas também lhe atribuem utilizações práticas, como a medição do tempo. É o caso de algumas tribos e nações nativas da América do Norte que, atribuindo um nome a cada lua cheia, conseguiam acompanhar a passagem do tempo e das estações. 

A "Lua do Lobo" é a primeira do ano, correspondendo ao nosso mês de Janeiro. Não é de estranhar que os nativos americanos, um povo muito ligado à sua terra e à natureza que os rodeia, tenham escolhido o nome do animal que foi outrora o mamífero mais difundido no seu território.

Adaptam-se agilmente ao seu habitat e são predadores hábeis, características necessárias para sobreviver na natureza mais hostil e que, sem dúvida, os primeiros homens que partilharam o território com eles tiveram de imitar. Por esta razão, estes povos viam o lobo como um animal poderoso que merecia todo o seu respeito. Como se isso não bastasse, este mamífero icónico parece estar tão ligado à lua como eles próprios: embora a imagem do lobo a uivar para a lua seja apenas um mito, é verdade que a lua cheia emite mais luz do que é habitual na vida nocturna, alterando o comportamento de alguns animais

Durante o Inverno, que no hemisfério Norte corresponde aos meses com noites mais longas, os lobos estão activos 24 horas por dia, mas durante o resto do ano são animais praticamente nocturnos. As luas cheias parecem ser a altura de maior concentração de uivos, um recurso comunicativo essencial para as alcateias.

EIS COMO A PODE VER

Não serão necessários instrumentos astronómicos para observar este evento, que será acessível a olho nu a partir de qualquer lugar, desde que as condições meteorológicas permitam uma boa visibilidade do céu. No entanto, deslocar-se para zonas com menos poluição luminosa ajudará sempre a desfrutar mais desta experiência, permitindo que a Lua seja vista com maior nitidez. 

Assim, as indicações para observar a "Lua de Lobo" não são diferentes das dadas para qualquer outro fenómeno astronómico deste tipo. A partir do pôr-do-Sol, que ocorre por volta das 18 horas, a Lua brilhará um pouco mais a cada minuto no céu noturno. O seu momento de máxima plenitude ocorrerá às 17h54 (hora de Lisboa) de quinta-feira, 25 de Janeiro de 2024

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