A lista vermelha actualizada da IUCN, apresentada na COP28 no Dubai, inclui agora 157.190 espécies, das quais 44.016 estão ameaçadas de extinção.

A recente actualização divulgada na emblemática Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP), realizada neste ano nos Emirados Árabes Unidos, foi um marco no domínio da conservação ambiental. Neste certame, foi apresentada pela primeira vez uma avaliação global abrangente das espécies de peixes de água doce, um estudo pioneiro que lança luz sobre o estado da arte destes ecossistemas aquáticos vitais.

Além disso, a actualização sublinhou os efeitos perniciosos de práticas destrutivas, como o abate indiscriminado de árvores e o comércio ilegal, que colocaram em perigo o mogno, uma espécie arbórea de valor ecológico e económico inestimável.

PRIMEIRA AVALIAÇÃO DOS PEIXES DE ÁGUA DOCE

A primeira avaliação global dos peixes de água doce revela que 25% das espécies estão ameaçadas de extinção, com as alterações climáticas a agravarem os desafios existentes, como a poluição, a sobrepesca e as espécies invasoras.

Por exemplo, o Brycinus ferox do Lago Turkana, no Quénia, tornou-se vulnerável devido à pesca predatória (ou sobrepesca) e às alterações climáticas. Igualmente alarmante é a situação do salmão do Atlântico, cuja população global diminuiu 23% desde 2006, afectada por múltiplos factores, incluindo a hibridação com o salmão de viveiro e a mortalidade relacionada com os piolhos-do-mar.

Além disso, as populações de tartarugas verdes no Pacífico Centro-Sul e no Pacífico Oriental enfrentam riscos significativos, estando classificadas, respectivamente, como Ameaçadas e Vulneráveis, com as alterações climáticas a afectarem o seu ciclo de vida e a aumentarem a mortalidade devido às capturas acessórias da pesca.

RECUPERAÇÃO DO ÓRIX BRANCO E DO ANTÍLOPE SAIGA

Apesar dos desafios, a actualização da Lista Vermelha da UICN também traz notícias encorajadoras sobre a conservação da vida selvagem. O órix-branco, anteriormente classificado como Extinto em Estado Selvagem, foi reclassificado como Ameaçado graças a um programa de reintrodução bem sucedido no Chade

Esta espécie, que tinha desaparecido da natureza no final da década de 1990, tem actualmente populações estáveis na Reserva de Vida Selvagem de Ouadi Rimé-Ouadi Achim, sendo o apoio contínuo das autoridades nacionais e das comunidades locais fundamental para a sua sobrevivência.

A saiga, um antílope nativo do Cazaquistão, da Mongólia, da Rússia e do Uzbequistão, melhorou o seu estatuto de "em vias de extinção" para "raro", graças aos intensos esforços de combate à caça furtiva e aos programas de educação. 

A população no Cazaquistão aumentou consideravelmente, embora a espécie continue susceptível a surtos de doenças e aos efeitos das alterações climáticas. Estes exemplos de recuperação sublinham a importância da gestão da conservação e a necessidade de enfrentar as ameaças locais e globais.

Em suma, a Lista Vermelha da IUCN actualizada é uma chamada de atenção para os efeitos multifacetados das alterações climáticas na biodiversidade. Embora algumas espécies enfrentem desafios crescentes, os esforços de conservação podem e estão a fazer a diferença, dando alguma esperança para o futuro da vida selvagem no nosso planeta.