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Sumario / Julho 2007

Malária. Pág 2. Começa por uma picada indolor. O mosquito surge de noite, pousa sobre uma superfície da pele deixada a descoberto e coloca-se numa posição semelhante à dos corredores de velocidade nos blocos de partida, de cabeça baixa. Depois, mergulha as suas componentes bucais em forma de agulha na pele.

O homem do gelo. Pág 38. Estávamos no final da Primavera ou no princípio do Verão, época em que um bordo-negro desdobrava os seus cachos de flores amarelas pelos vales íngremes que correm rumo às montanhas dos Alpes Italianos. O homem atravessava, apressado, uma floresta, retraindo-se devido à dor na mão direita ferida e parando ocasionalmente para ouvir sons de possíveis perseguidores.

Aves-do-paraíso. Pág 52. Ele inclina-se. Com um gesto profundo cheio de dignidade, põe a descoberto os flancos pálidos. Os fios elásticos que lhe encimam a cabeça tocam no solo: um, dois, um, dois. O palco do artista é um pedaço de terra, de onde varreu os detritos antes de espalhar sobre ele raízes, como pétalas de rosa derramadas sobre o caminho a percorrer pelas noivas.

Pradarias de ervas altas. Pág 72. A erva é “uma coisa verde carregada de esperança”, escreveu o poeta Walt Whitman. Temos por hábito pensar o que se pode fazer de um sítio, perspectivando o futuro e não o presente. Por consequência, a natureza fica frequentemente escondida.
É por isso que a região das colinas Flint, no Kansas, a última grande extensão de pradaria de ervas altas dos EUA, pode ser tão difícil de compreender.

Enxames. Pág 90. Antigamente, pensava que as formigas sabiam o que faziam. As que desfilavam em marcha sobre a bancada da minha cozinha exibiam um ar tão confiante que pareciam seguir um plano, sabendo para onde iam e o que precisavam de fazer. Se assim não fosse, como seriam as formigas capazes de organizar trilhos, construir formigueiros complexos ou lançar ataques épicos?